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Abin aponta risco crítico de interferência dos EUA nas eleições e monitora atuação da extrema-direita

por | 27 set, 2026

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A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) elevou para nível “crítico” a avaliação sobre o risco de influência e interferência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras de 2026.

Segundo reportagem da Agência Pública, análises internas produzidas desde novembro de 2025 também passaram a acompanhar discursos de setores da direita radical no país classificados pela agência como possíveis “facilitadores” de uma ofensiva norte-americana.

A informação consta de relatório reservado encaminhado ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), à Polícia Federal (PF) e ao governo federal. A existência do documento já havia sido revelada pela jornalista Mônica Bergamo, da Folha de S. Paulo. Segundo a reportagem da Agência Pública, documentos semelhantes vêm sendo produzidos pela Abin desde o fim de 2025, em meio ao aumento das tensões entre os governos brasileiro e norte-americano.

De acordo com a apuração da Pública, o monitoramento da inteligência brasileira inclui declarações de políticos e influenciadores que possam defender ou estimular ações de interferência externa e obter apoio político ou popular para esse tipo de iniciativa.

Uma fonte da Abin ouvida sob anonimato afirmou à reportagem que o cenário atual é diferente do observado nas eleições anteriores e que o foco passou a ser a possibilidade de interferência externa, com o governo dos Estados Unidos demonstrando preferência pelo campo opositor.

A avaliação, segundo a fonte, é de que setores políticos brasileiros poderiam atuar como facilitadores desses interesses. A declaração não representa, por si só, uma conclusão pública da Abin sobre indivíduos específicos.

A reportagem também aponta que a preocupação da inteligência brasileira envolve interesses econômicos e estratégicos dos Estados Unidos no Brasil. Fontes ouvidas pela Pública afirmaram que a exploração de minerais críticos, incluindo terras raras, estaria entre os fatores considerados nas análises.

O tema ganhou importância na política norte-americana durante o governo Donald Trump, que adotou medidas para ampliar a produção e reduzir a dependência de fornecedores estrangeiros.

Outro episódio citado pela Agência Pública envolve a Embaixada dos Estados Unidos em Brasília. Segundo a apuração, representantes diplomáticos norte-americanos procuraram o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante, para uma reunião com enviados do Departamento de Estado.

A reportagem afirma que os visitantes pretendiam discutir questões relacionadas às urnas eletrônicas. Os vistos solicitados para os dois enviados, Riley Bernes e Samuel Samson, teriam sido negados pelo governo brasileiro.

O ambiente de tensão também envolve a escolha do novo embaixador dos Estados Unidos no Brasil. Daniel Perez, indicado por Trump, teve seu nome aprovado pelo Senado norte-americano em agosto, mas ainda depende do agrément do governo brasileiro para assumir o posto.

A preocupação com possíveis interferências ocorre em meio a uma escalada de medidas e declarações de Washington sobre a América Latina. A reportagem da Pública relaciona esse contexto ao discurso de Trump de ampliar a influência norte-americana na região e à atuação de integrantes de seu governo em temas políticos e de segurança.

No Brasil, o assunto ganhou dimensão eleitoral nas últimas semanas. O relatório da Abin sobre a pressão norte-americana já motivou iniciativas políticas e institucionais. A campanha do presidente Lula acionou o STF e o TSE para pedir apuração sobre possíveis interferências dos Estados Unidos nas eleições, alegações que ainda são objeto de investigação e disputa política.

A discussão também chegou ao Congresso dos Estados Unidos. Segundo a Folha, parlamentares norte-americanos, entre eles Bernie Sanders, manifestaram preocupação com possíveis tentativas de interferência do governo Trump no processo eleitoral brasileiro.

O tema ganhou repercussão após o discurso de Lula na Assembleia Geral da ONU, em 22 de setembro. Sem citar diretamente os Estados Unidos, o presidente afirmou que “o Brasil não cabe no quintal de ninguém”, em uma defesa da soberania nacional.

A reportagem da Agência Pública ressalta que o acompanhamento feito pela Abin ocorre em um contexto de crescente tensão diplomática e eleitoral. As informações sobre possíveis ações de interferência estrangeira permanecem sob análise das instituições brasileiras, e as alegações sobre a atuação de grupos políticos ou agentes estrangeiros não equivalem, até o momento, a uma conclusão judicial sobre responsabilidade ou ilegalidade.

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