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Agropecuária já ocupa 30,5% das áreas próximas a territórios protegidos na Amazônia

por | 18 out, 2026

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A expansão da agropecuária tem pressionado áreas próximas a territórios protegidos da Amazônia. Em 2025, as atividades agropecuárias já ocupavam 30,5% dessas regiões, que incluem áreas no entorno de Unidades de Conservação, Terras Indígenas e territórios quilombolas.

Os dados fazem parte de um levantamento do MapBiomas divulgado nessa semana, com informações sobre a cobertura e o uso da terra no bioma entre 1985 e 2025.

No ano passado, a agropecuária ocupava 65,2 milhões de hectares na Amazônia. Desse total, 13,6 milhões de hectares estavam em áreas próximas a locais protegidos pela legislação ambiental.

O estudo também identificou uma relação entre a presença de estradas e o avanço das atividades econômicas sobre a vegetação nativa. As regiões mais próximas das vias apresentam maior ocupação agropecuária.

Dos 157 milhões de hectares localizados a até cinco quilômetros das estradas mapeadas, 40,2% eram ocupados pela agropecuária. Isso corresponde a aproximadamente 63 milhões de hectares, área que representa mais de 96% do território ocupado por essa atividade no bioma.

À medida que aumenta a distância das estradas, a participação da agropecuária diminui, chegando a 26,7% nas áreas mais distantes.

Estradas ampliam pressão sobre a floresta

Para o pesquisador do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) Bruno Ferreira, integrante da equipe do MapBiomas Amazônia, a expansão das vias facilita a ocupação de áreas naturais e ameaça a conservação do bioma.

“As estradas facilitam o acesso a áreas de vegetação nativa, favorecendo processos de ocupação e conversão da terra. No entorno e no interior das áreas protegidas, essa pressão pode se refletir na expansão da agropecuária, da mineração e de outras atividades que modificam a cobertura e o uso da terra”, alerta.

De acordo com o levantamento, a área ocupada pela agropecuária no entorno dos territórios protegidos cresceu 561% em 41 anos.

Para realizar a análise, os pesquisadores cruzaram os dados da Coleção 11 do MapBiomas com informações sobre estradas do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) e da plataforma OpenStreetMap. Ao todo, foram considerados 618 mil quilômetros de vias, incluindo caminhos que não integram a malha rodoviária oficial.

Amazônia perdeu 54,7 milhões de hectares de vegetação nativa

O levantamento também atualizou os números do desmatamento no bioma. Em 2025, foram registrados 693 mil hectares desmatados, o menor índice da série histórica analisada.

Desse total, 639 mil hectares correspondiam à vegetação primária, que ainda mantinha suas características naturais. Outros 54 mil hectares eram de vegetação secundária, formada em áreas que já haviam sofrido alterações e apresentavam capacidade de regeneração.

Entre 1985 e 2025, a Amazônia perdeu 54,7 milhões de hectares de vegetação nativa. Considerando também as áreas transformadas pela ação humana antes desse período, o território antropizado no bioma chegou a 74,6 milhões de hectares.

A formação florestal foi a mais afetada ao longo das quatro décadas, com uma redução de 49,7 milhões de hectares, equivalente a 14,8% de sua área.

Pastagens predominam na ocupação agropecuária

A agropecuária encerrou 2025 ocupando cerca de 65,3 milhões de hectares, o equivalente a 15,5% do território amazônico.

As pastagens destinadas à pecuária respondiam pela maior parcela, com 50,8 milhões de hectares, ou 12% do bioma. Já a agricultura ocupava 8,6 milhões de hectares, correspondentes a 2% do território.

A mineração também ampliou sua presença na região. Em 2025, a atividade ocupava 440 mil hectares, contra 32 mil hectares no início da série histórica, em 1985. O crescimento representa uma área ocupada 14 vezes maior em quatro décadas.

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