Conversas reveladas pela Agência Pública mostram comentários machistas do ex-diretor-geral de mídias impressas e rádios da Editora Globo, Fred Kachar, e do banqueiro Daniel Vorcaro sobre Deborah Secco e Sabrina Sato. As mensagens, interceptadas pela Polícia Federal entre outubro de 2023 e julho de 2025, também revelam referências a festas privadas, encontros reservados e preocupação com a discrição. Kachar foi demitido do Grupo Globo na quinta-feira (15).
Em um dos diálogos, após um evento no Baile da Vogue de 2024, Kachar comentou sobre a aparência de Deborah Secco: “Eu só olhava pra bunda dela”. Vorcaro respondeu que a atriz estava “muito feia” e acrescentou: “Tá doido, mulher não pode fazer isso”. Kachar concordou com a avaliação negativa da fantasia usada pela artista.
As conversas também expõem a forma como os dois se referiam a outras mulheres. Sobre Sabrina Sato, Kachar escreveu que ela estaria “soltinha”. Em outra mensagem, afirmou que Deborah Secco estava “pra jogo”, em comentários que associavam as artistas à disponibilidade sexual.
As assessorias de Deborah Secco e Sabrina Sato repudiaram a exposição dos nomes das artistas em conversas de teor machista e desrespeitoso. Ambas negaram vínculos pessoais com Vorcaro, e as equipes ressaltaram que as relações profissionais com Kachar não justificam as insinuações divulgadas.
A reportagem também destaca que o episódio vai além de comentários sobre celebridades. Para a psicóloga organizacional Patrícia Ansarah, fundadora do Instituto Internacional em Segurança Psicológica, a divulgação das mensagens levanta questões sobre a relação entre poder, comportamento e silêncio nos ambientes corporativos.
Segundo a especialista, a naturalização de atitudes machistas e misóginas contribui para a manutenção de desigualdades e dificulta que mulheres denunciem situações abusivas, sobretudo quando estão diante de pessoas que ocupam posições de influência.
Além dos comentários sobre as artistas, as mensagens mostram convites de Vorcaro a Kachar para festas privadas, algumas descritas como encontros sem celulares e com preocupação em evitar exposição. Os diálogos também incluem referências codificadas a esses eventos, chamadas pelos interlocutores de “Ucrânia” e “ataque soviético”.
Procurados pela Agência Pública, Kachar e Vorcaro não haviam se manifestado até a publicação da reportagem. O Grupo Globo informou, ao anunciar a demissão do executivo, que a decisão estava relacionada à preservação da independência editorial da Editora Globo, sem mencionar diretamente o teor machista das conversas.
Com Agência Pública







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