Segundo a médica nutróloga Eline Soriano, o tecido adiposo também participa da produção hormonal e de processos inflamatórios no organismo. Após a menopausa, a gordura corporal ganha importância na produção de estrogênios, hormônios associados ao desenvolvimento de alguns tipos de câncer de mama.
“O excesso de gordura pode contribuir para uma maior exposição do organismo aos estrogênios. Também pode favorecer inflamação crônica de baixo grau e resistência à insulina, alterações relacionadas a mecanismos envolvidos no desenvolvimento de alguns tumores”, explica a médica.
O INCA também reconhece a relação entre o peso corporal e o risco da doença. Entre os fatores associados ao câncer de mama após a menopausa estão o sobrepeso, a obesidade e o ganho de peso ao longo da vida adulta. Isso não significa, porém, que todas as mulheres com obesidade desenvolverão câncer ou que o peso seja a única causa da doença.
Hábitos saudáveis ajudam na prevenção
Para Eline Soriano, o cuidado com a saúde deve ir além do número indicado pela balança. A avaliação da distribuição de gordura, dos hábitos alimentares, da prática de exercícios físicos e das condições metabólicas pode ajudar a identificar situações que exigem acompanhamento.
“Uma mulher pode apresentar alterações metabólicas mesmo sem perceber grandes mudanças no peso. Avaliar a composição corporal, a glicemia, o histórico clínico e os hábitos permite identificar situações que precisam de acompanhamento”, afirma.
Além de manter uma composição corporal saudável, a adoção de uma alimentação equilibrada, a prática regular de atividade física e a redução do consumo de álcool estão entre as medidas que podem contribuir para diminuir o risco de câncer de mama.
A especialista ressalta, no entanto, que esses cuidados não substituem as consultas ginecológicas, os exames de rastreamento recomendados nem a investigação de alterações suspeitas nas mamas.
“Existem fatores genéticos, hormonais e relacionados à idade que também precisam ser considerados. O que podemos fazer é atuar sobre os riscos modificáveis e acompanhar a saúde de forma individualizada”, conclui Eline Soriano.







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