Por Geraldo de Majella*
O Exército do Lula, iniciativa do deputado federal André Janones, tornou-se um dos fenômenos de mobilização digital da campanha presidencial de 2026. Organizado pelo WhatsApp, o canal reunia, às 10h desta quarta-feira (21), mais de 7 milhões de apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ampliando a circulação de mensagens em defesa de sua candidatura no segundo turno.
A iniciativa demonstra a capacidade de Janones de organizar uma rede nacional de apoiadores, estimular o compartilhamento de conteúdos e ampliar o alcance da comunicação política. O crescimento do canal evidencia a força da mobilização digital e sua importância na disputa eleitoral.
A experiência também expõe uma dificuldade de parte da esquerda brasileira: a permanência de métodos predominantemente analógicos de organização e comunicação. Partidos, sindicatos e movimentos sociais construíram sua história nas assembleias, reuniões, panfletagens, comícios e no trabalho de base. Essa tradição continua importante, mas precisa incorporar as novas tecnologias e dialogar com jovens comunicadores eleitos parlamentares, artistas, comunicadores digitais e produtores de conteúdo, que renovam a linguagem política e alcançam novos públicos de forma orgânica.
Manter perfis nas redes sociais e publicar conteúdos não é o mesmo que construir uma rede organizada de comunicação. O Exército do Lula demonstra a possibilidade de articular apoiadores em torno de um objetivo comum, estimulando a circulação de mensagens e a participação na campanha.
No segundo turno, essa mobilização ganha relevância na disputa de narrativas e no enfrentamento à extrema-direita, que utiliza a disseminação de fake news como instrumento político. Ao ampliar a circulação de conteúdos em defesa de Lula, a rede contribui para romper a concentração da direita nas plataformas digitais e furar a bolha da esquerda.
A experiência de Janones aponta para um desafio estratégico: integrar a mobilização digital ao trabalho presencial dos partidos e movimentos sociais. O caminho passa por um tripé fundamental: redes, ruas e programa político. Não se trata de substituir as ruas pelas redes, mas de combinar comunicação digital, mobilização popular e um projeto político conectado às demandas da sociedade.
O Exército do Lula evidencia, assim, a importância de atualizar as formas de organização da esquerda, articulando a experiência histórica da militância com as possibilidades de mobilização digital. Essa integração pode ampliar o diálogo com a população e fortalecer a participação política.
*Jornalista e historiador







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