Por Coaracy Fonseca*
Em outubro de 1938, aos 63 anos, Winston Churchill era deputado do Partido Conservador. O Reino Unido tinha como primeiro-ministro Neville Chamberlain, integrante da mesma legenda.
Em minoria, Churchill advertia que as concessões a Hitler favoreciam seu fortalecimento. Suas palavras pareciam passar como vento pelos ouvidos de quem ainda confiava no apaziguamento.
Em 1º de setembro de 1939, a Alemanha invadiu a Polônia. Dois dias depois, Reino Unido e França declararam guerra à Alemanha. Começava a Segunda Guerra Mundial na Europa.
Os horrores da guerra e do Holocausto impõem uma pergunta: quantas vidas poderiam ter sido poupadas se aquelas advertências tivessem sido ouvidas? Não há certeza sobre esse passado possível, mas a reflexão permanece.
Chamberlain renunciou, e Churchill assumiu o governo em 10 de maio de 1940, aos 65 anos. A voz antes contestada passou a conduzir a resistência britânica.
Seus discursos mobilizaram a população. Sua capacidade de escrever, articular relações diplomáticas e participar das decisões estratégicas contribuiu, com o esforço dos demais aliados, para derrotar o nazismo.
Apreciador de uísque, Churchill foi associado por alguns autores ao alcoolismo e ao transtorno bipolar. Essas hipóteses diagnósticas retrospectivas são controversas e contestadas por pesquisadores de sua história clínica.
A experiência, acompanhada de lucidez e disposição para aprender, pode ensinar a reconhecer perigos, ponderar consequências e negociar soluções. Décadas de vida podem representar um patrimônio de discernimento.
Presidir um país grande e diverso como o Brasil exige compreender problemas estruturais acumulados por gerações. Memória histórica, conhecimento das instituições e capacidade de diálogo são recursos preciosos para enfrentá-los.
Valorizar o idoso significa reconhecer sua capacidade de decidir, criar e liderar. A competência deve ser apreciada pela qualidade do julgamento e das realizações, sem preconceitos fundados na idade.
Churchill nos recorda que uma longa trajetória pode preparar alguém para grandes responsabilidades. Um país que despreza seus idosos corre o risco de silenciar justamente a experiência de que mais precisa.
A quem será entregue o nosso Brasil?
*Promotor de Justiça, Ex-Procurador-Geral de Justiça de Alagoas, Ex-Procurador-Geral do Município de Maceió e Mestre em Direitos Fundamentais pela Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa.







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