Uma manifestação organizada por estudantes da Universidade Federal Fluminense (UFF), em Niterói, após o resultado do primeiro turno das eleições, ajudou a impulsionar uma onda de mobilização contra a extrema direita no Brasil. O movimento, apelidado de “Primavera Brasileira”, ganhou força nas redes sociais e passou a inspirar grupos políticos de outros países.
O primeiro ato ocorreu em 5 de outubro, um dia depois de Flávio Bolsonaro terminar à frente de Lula na primeira etapa da disputa. Estudantes marcharam da Faculdade de Direito até a reitoria da universidade. As imagens se espalharam pela internet e estimularam manifestações em diferentes regiões do país.
A mobilização também contou com a participação de fandoms, comunidades de fãs que direcionaram sua capacidade de organização para a campanha eleitoral. Os grupos promoveram mutirões digitais, divulgaram conteúdos políticos e convocaram artistas a se posicionarem em defesa da democracia.
A estratégia nas redes, associada à atuação do deputado André Janones, também despertou interesse internacional. Segundo a Agência Pública, grupos da Espanha, França e Argentina passaram a reproduzir métodos de engajamento utilizados no Brasil.
Na Espanha, o primeiro-ministro Pedro Sánchez citou a vitória de Lula como exemplo para as forças progressistas. No México, a reeleição brasileira foi vista como importante para evitar o isolamento de governos de esquerda na América Latina.
O gesto de fazer um “L” com as mãos, em referência a Lula, também ganhou projeção internacional. A presidente mexicana Claudia Sheinbaum e políticos do Chile aderiram ao símbolo, que passou a representar a mobilização contra o avanço da direita.
Especialistas ouvidos pela reportagem apontam que a articulação entre movimentos sociais, estudantes e redes digitais foi decisiva para ampliar o alcance da mobilização. Também destacam a necessidade de regulamentar as grandes plataformas de tecnologia, diante da influência dos algoritmos no debate público.
Para os estudantes que iniciaram o movimento em Niterói, a mobilização não deve terminar com o resultado das urnas. A avaliação é que a participação popular e a organização nas ruas continuam necessárias para defender a democracia.
Com Agência Pública







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