A Serra da Barriga, em União dos Palmares, está entre os três locais brasileiros reconhecidos pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) por sua importância para a preservação da memória da escravidão. O reconhecimento também contempla o Cais do Valongo, no Rio de Janeiro, e a Sociedade Protetora dos Desvalidos, em Salvador.
Os três espaços foram incluídos na Rede de Lugares de História e Memória Relacionados à Escravidão e ao Tráfico de Pessoas Escravizadas, iniciativa internacional criada para incentivar a preservação desses patrimônios, a pesquisa, a educação e a cooperação entre diferentes países.
Em Alagoas, a homenagem destaca a Serra da Barriga, onde funcionou o Quilombo dos Palmares, um dos maiores símbolos da resistência negra à escravidão no Brasil. No local está instalado o Parque Memorial Quilombo dos Palmares, que preserva a história de homens e mulheres que lutaram por liberdade e autonomia.
A Serra da Barriga já integra, desde 1988, o patrimônio histórico e cultural brasileiro. Agora, o reconhecimento internacional amplia a visibilidade do território e de sua importância para a história do país.
Os outros dois espaços também representam momentos fundamentais da trajetória da população negra. No Rio de Janeiro, o Cais do Valongo foi um dos principais pontos de desembarque de africanos escravizados nas Américas e já é Patrimônio Mundial da Unesco desde 2017.
Em Salvador, a Sociedade Protetora dos Desvalidos é uma instituição criada em 1832 por homens negros livres. Em funcionamento contínuo, tornou-se referência de organização, solidariedade e mobilização da população negra.
Segundo a Unesco, a rede pretende conectar locais de diferentes países, incentivar o compartilhamento de experiências e desenvolver ações educativas. A proposta também é envolver as comunidades na preservação e na transmissão dessas histórias às novas gerações.
Para o historiador Ivanir dos Santos, o reconhecimento ajuda a valorizar o protagonismo da população negra na construção da sociedade brasileira e a enfrentar o apagamento de sua memória.
A iniciativa também reforça a importância de políticas de preservação, educação antirracista e participação das comunidades negras na gestão desses espaços. Mais do que lembrar o passado, os locais reconhecidos ajudam a compreender as marcas da escravidão e a importância da luta por igualdade e direitos.







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