A Polícia Federal investiga denúncias de violência contra povos indígenas após o segundo turno das eleições de 2026. Os relatos incluem ameaças de morte, discursos racistas, atropelamentos e incêndios em territórios indígenas. Mato Grosso do Sul concentra a maior parte das ocorrências.
Segundo reportagem publicada pelo SUMAÚMA, os ataques podem ter motivação política, em razão do apoio de comunidades indígenas à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Um dos casos mais graves ocorreu em Coronel Sapucaia (MS), onde o indígena Valdenildo da Silva, de 25 anos, morreu em uma rodovia. Ele vivia na Reserva Indígena Taquaperi. A investigação apura as circunstâncias da morte e a possível relação com um atropelamento envolvendo um veículo oficial da prefeitura.
Em Tacuru, um servidor municipal foi afastado após o envio de um áudio em que sugeria envenenar a água de uma aldeia indígena. Na gravação, ele afirma: “Tem que pôr veneno na água, matar essas pragas na água”.
Também foram denunciados incêndios em casas de lideranças religiosas Guarani Kaiowá, ameaças contra indígenas no Rio Grande do Sul e ataques racistas nas redes sociais. No Pará, comunidades indígenas receberam mensagens com ameaças de invasão de seus territórios.
De acordo com Dinamam Tuxá, coordenador-executivo da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), as ameaças começaram antes mesmo da votação. A organização afirma que grupos bolsonaristas intensificaram discursos de ódio contra os povos originários durante o período eleitoral.
A Apib encaminhou denúncias à Polícia Federal e ao Ministério Público Federal. O Ministério dos Povos Indígenas também acompanha os casos e articula medidas de proteção às comunidades.
Segundo levantamento inicial do Ministério da Justiça e Segurança Pública, foram registradas 45 ocorrências de violência e atentados com possível motivação política entre 24 e 28 de outubro, com 47 vítimas. Dez mortes foram contabilizadas, incluindo três indígenas, embora a motivação política tenha sido descartada em dois desses casos.
A reportagem do SUMAÚMA, assinada por Rafael Moro Martins, destaca que a violência contra indígenas, especialmente em Mato Grosso do Sul, é um problema histórico, relacionado à disputa por territórios tradicionais. As autoridades ainda investigam quais episódios têm ligação direta com o resultado eleitoral.







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