Uma previsão feita em 1960 marcou o dia 13 de novembro de 2026 como a data do suposto fim do mundo. A hipótese foi apresentada pelo físico Heinz von Foerster e outros pesquisadores em um estudo publicado na revista científica Science. O motivo seria o crescimento acelerado da população mundial, que, segundo os cálculos, chegaria a um limite matemático.
A previsão, no entanto, não se confirmou. Especialistas ouvidos pela revista Popular Science explicam que o cálculo não considerou mudanças importantes no comportamento das famílias, na saúde pública e nas taxas de natalidade.
Diferentemente das teorias que alertavam para a falta de alimentos, von Foerster acreditava que a humanidade conseguiria produzir comida suficiente. O risco, segundo ele, seria o excesso de pessoas no planeta. Uma frase do estudo resume a ideia: “Nossos tataranetos não vão morrer de fome. Eles vão morrer espremidos”.
Para chegar à data, os pesquisadores analisaram 24 estimativas populacionais referentes a um período de dois mil anos. A equação indicava que o crescimento continuaria acelerando até atingir uma espécie de barreira matemática em novembro de 2026.
O cenário mudou nas décadas seguintes. Avanços na medicina, no saneamento e na nutrição reduziram a mortalidade, enquanto a urbanização, a educação e o acesso a métodos contraceptivos contribuíram para a diminuição do número de filhos por família.
A população mundial passou de aproximadamente 1 bilhão de pessoas por volta de 1800 para 8 bilhões em 2022. Atualmente, são cerca de 8,3 bilhões. Apesar desse aumento, o ritmo de crescimento diminuiu, e diversos países enfrentam taxas de natalidade abaixo do nível necessário para manter a população estável.
Preocupação mudou de direção
Países como Coreia do Sul, Japão e diversas nações europeias passaram a enfrentar o envelhecimento populacional e a redução dos nascimentos. O debate agora envolve os impactos dessa mudança sobre a economia, o mercado de trabalho e os serviços públicos.
Para o demógrafo Dean Spears, a queda da natalidade é um desafio de longo prazo, e não uma emergência que possa ser resolvida rapidamente por decisões políticas. Já o pesquisador Joel Cohen chama atenção para a necessidade de garantir melhores condições de vida às crianças que já existem.
Assim, a data prevista por von Foerster chega sem o cenário apocalíptico anunciado há mais de seis décadas. Em vez de uma população crescendo indefinidamente, o mundo enfrenta uma realidade mais complexa: o envelhecimento e a redução dos nascimentos em diferentes regiões.







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