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Alagoas: a nova correlação de forças e os desafios da oposição 

por | nov 3, 2026 | Colunas, Geraldo Majella, Manchete | 0 Comentários

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Por Geraldo de Majella*

A eleição de João Henrique Caldas (PSDB) para o governo de Alagoas, em primeiro turno, contra o senador Renan Filho (MDB), tem um significado que vai além da derrota de um grupo político que comandou o Estado durante doze anos.

Renan Filho governou por oito anos, seguido por Paulo Dantas, que esteve à frente do Executivo estadual por quatro. Foi o mais longo período de continuidade de um mesmo grupo político no governo de Alagoas desde a redemocratização, iniciada em 1985, com a eleição de Tancredo Neves e José Sarney pelo Colégio Eleitoral.

O triunfo de JHC precisa ser compreendido também como resultado de uma partilha eleitoral com sua esposa, Marina Candia (PSDB), eleita senadora na esteira da votação do marido, e o deputado federal Arthur Lira (PP). Os dois grupos reuniram recursos que, somados, chegam a aproximadamente R$ 4 bilhões, entre emendas secretas, transferências via Pix e o acordo bilionário firmado entre a Prefeitura de Maceió e a Braskem.

A balança política em Alagoas tem, de um lado, JHC e Arthur Lira; do outro, Renan Filho, Renan Calheiros, Paulo Dantas e Marcelo Victor. Esse é o cenário que emergiu das eleições. A derrota de Renan Calheiros acentuou o desequilíbrio entre os blocos e alterou a correlação de forças no Estado.

A hegemonia política do MDB está em disputa. O avanço do grupo que chega ao governo, porém, não deve ser confundido com as tradicionais migrações partidárias de prefeitos e lideranças que, após a eleição de um novo governador, se transferem para o grupo vencedor em busca de aproximação com o poder. Essa prática faz parte da tradição política alagoana, mas a disputa pela hegemonia também acontecerá nas ruas e nas redes sociais, por meio da mobilização popular.

Um fato novo na história do MDB em Alagoas é voltar à oposição. A atual geração de dirigentes e militantes praticamente não sabe o que significa estar fora do governo. Desde 1986, o partido esteve à frente do Executivo estadual, com exceção do período em que Alagoas foi governada por Geraldo Bulhões (1991-1994). Naquela eleição, o MDB foi derrotado em um processo marcado pela maior fraude eleitoral da história do Estado antes da implantação das urnas eletrônicas.

A oposição terá de anunciar que pretende permanecer em campo, disputando espaços políticos e mantendo a população mobilizada. No momento, JHC é o “dono das redes”, mas isso não significa que continuará sendo sempre assim. Os próximos meses poderão ser decisivos para essa definição, inclusive para os caciques do MDB.

A oposição, entretanto, não se resume ao MDB. Os movimentos sociais, o movimento sindical e a esquerda vão esperar uma “voz de comando” ou definirão uma estratégia própria para enfrentar o novo governante? Durante sua passagem pela Prefeitura de Maceió, JHC desprezou e perseguiu os movimentos sociais. A questão central é como construir uma oposição capaz de disputar espaços políticos, mobilizar a população e defender os interesses dos setores populares.

*Jornalista e historiador

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