terça-feira, 03 novembro 2026
Nublado
Maceió
27°C
Nublado
Nublado
Maceió
27°C
Nublado

José Dirceu defende reconstrução do PT e afirma que vitória de Lula não foi do partido

por | nov 3, 2026 | Manchete, Política | 0 Comentários

ESPALHE A NOTÍCIA
Link copiado para o Instagram!

O ex-ministro José Dirceu defendeu uma reconstrução do Partido dos Trabalhadores (PT), com maior participação da militância, renovação dos quadros dirigentes e ampliação do diálogo com outras forças políticas de esquerda.

Em entrevista ao jornalista Sérgio Roxo, publicada nesta terça-feira (3) pelo jornal O Globo, Dirceu afirmou que a vitória eleitoral de Lula não foi uma vitória do PT e cobrou que o partido tire consequências desse resultado.

“A vitória na eleição não foi do PT. Temos que tirar consequências disso, não pode só falar”, declarou.

Na avaliação do ex-ministro, a reeleição de Lula foi resultado de uma mobilização democrática que reuniu diferentes setores políticos e sociais. Ele classificou o processo eleitoral como uma “revolução pacífica e democrática pelo voto no Brasil”.

“Temos que fazer quase uma reconstrução do PT”, afirmou Dirceu, ao defender mudanças na organização interna da legenda e maior participação da militância nas decisões partidárias.

Unidade das forças progressistas

Dirceu defendeu a construção de uma articulação política mais ampla, envolvendo partidos de esquerda e outras forças democráticas.

“Nosso futuro é o da esquerda. Não é o de uma liderança, um substituto do Lula. Precisamos unir forças progressistas e democráticas”, afirmou.

Na sequência, defendeu o diálogo com PSOL, Rede, PDT e PSB para constituir “uma força mais orgânica”.

O ex-ministro também considera que o governo Lula precisa refletir a diversidade das forças políticas e sociais que participaram da vitória eleitoral. Segundo ele, o Executivo deve representar não apenas os partidos que integram a base parlamentar, mas também setores da sociedade que apoiaram Lula por compromisso com a democracia.

“O presidente tem uma oportunidade histórica de chamar o país a um pacto político”, declarou.

Dirceu citou quatro reformas que, em sua avaliação, precisam ser pactuadas: tributária, financeira, política e do Judiciário.

Renovação do PT e diálogo com a sociedade

A renovação partidária é outra preocupação destacada na entrevista. Dirceu considera urgente ampliar a democracia interna, melhorar a formação política e fortalecer a atuação nas redes sociais.

“Temos de democratizar mais o PT, melhorar a formação política e a atuação nas redes. A renovação no PT é urgente”, afirmou.

Ele também defendeu maior participação de mulheres e jovens na estrutura partidária e reconheceu o fortalecimento do PT no Nordeste, região que, segundo ele, terá representação maior na direção nacional.

Sobre a aproximação com segmentos sociais que demonstram insatisfação com a esquerda, Dirceu chamou a atenção para a juventude e os evangélicos.

“Temos de compreender melhor os setores da sociedade, sobretudo a juventude, insatisfeitos com a esquerda. Precisamos superar essa questão que o PT é antievangélico. Não podemos ter preconceito de que os evangélicos são bolsonaristas”, declarou.

O ex-ministro também defendeu o diálogo com os jovens que votaram em Flávio Bolsonaro.

“Nós não devemos estigmatizar, atacá-la como se fosse um pecado votar na direita. Temos que dialogar”, afirmou.

Sucessão de Lula

Ao abordar o futuro da liderança política da esquerda, Dirceu afirmou que novas lideranças terão de conquistar espaço por sua atuação política e administrativa.

“Terão de provar isso governando ou liderando”, declarou.

Ele citou Fernando Haddad como exemplo de liderança que ganhou espaço a partir de sua atuação nos ministérios da Educação e da Fazenda.

“A direita já tem nomes enfileirados”, observou.

Dirceu também afirmou que o PT só terá renovação formal de sua direção em 2029, mas que o próximo congresso partidário deverá discutir mudanças no estatuto para abrir espaço às novas realidades políticas e sociais.

Economia e direitos sociais

Na avaliação de Dirceu, a dívida pública e os juros são questões importantes no debate econômico nacional.

“Existe um problema real no Brasil, que é a dívida pública. Mas tem que baixar o juro”, afirmou.

Ele defendeu que a discussão sobre reformas fiscais também considere a renúncia fiscal e envolva forças políticas, empresariais e o movimento sindical.

Ao tratar das reivindicações dos setores que apoiaram Lula, Dirceu chamou a atenção para a preservação de direitos sociais.

“Não nos peçam para fazer aquilo que o eleitorado não aprovou”, declarou, mencionando a vinculação do salário mínimo, as aposentadorias, a saúde e a educação.

Derrota eleitoral

Dirceu também comentou sua derrota na disputa por uma vaga na Câmara dos Deputados por São Paulo. Segundo ele, a ausência de campanha durante parte do período eleitoral prejudicou seu desempenho.

“Eu não fui eleito porque não fiz campanha”, afirmou.

O ex-ministro explicou que permaneceu em casa de 10 de maio a 22 de setembro, durante tratamento contra um linfoma.

“Já virei essa página. Não serei mais candidato”, concluiu.

0 comentários

Enviar um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *