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Edinho Silva defende mudanças profundas no PT e critica projetos pessoais e patrimonialismo

por | nov 3, 2026 | Destaque, Política | 0 Comentários

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O presidente nacional do Partido dos Trabalhadores (PT), Edinho Silva, 61 anos, defendeu mudanças profundas na organização e no funcionamento da legenda. Em entrevista ao Poder360, publicada nesta terça-feira (3), afirmou que o partido precisa recuperar a centralidade do projeto coletivo e superar práticas em que interesses particulares se sobrepõem aos objetivos partidários.

As declarações foram publicadas no mesmo dia em que o ex-ministro e fundador do PT José Dirceu, em entrevista ao jornal O Globo, também defendeu a reconstrução do partido.

“O PT não pode continuar convivendo com um amontoado de projetos pessoais, em que muitas vezes o projeto coletivo é colocado em segundo plano”, declarou.

Edinho afirmou que, em determinadas situações, o partido se transformou em “um ajuntamento de mandatos parlamentares”, nos quais os mandatos passaram a ter mais poder do que as próprias instâncias partidárias.

“Isso é inaceitável para um partido com as responsabilidades históricas e políticas do PT”, disse.

O presidente petista também criticou práticas patrimonialistas dentro da organização. Segundo ele, a estrutura partidária não pode ser utilizada para atender a interesses pessoais, promover enriquecimento ou crescimento patrimonial. “O partido não pode ser instrumento de interesses particulares”, afirmou.

Edinho defendeu a recuperação da centralidade do projeto coletivo, o fortalecimento das instâncias democráticas e, principalmente, a retomada da organização de base.

Organização popular e presença nos territórios

Para o dirigente, as mobilizações que contribuíram para a vitória eleitoral do presidente Lula demonstraram a existência de um sentimento de mudança na sociedade, inclusive em relação ao modelo político e à maneira de fazer política.

“O PT precisa ser o representante e o catalisador desse sentimento”, afirmou.

Edinho considera necessário que o partido volte a ter presença orgânica na vida da sociedade, recupere sua organização nos territórios e utilize a internet e as redes sociais como instrumentos de fortalecimento dessa atuação.

Também defendeu que o PT compreenda as transformações no mundo do trabalho. Para ele, o crescimento do empreendedorismo não pode ser interpretado simplesmente como uma parcela da classe trabalhadora capturada pelo neoliberalismo.

O dirigente observa que, para milhões de brasileiros, empreender representa uma forma de sobrevivência diante do desemprego, da precarização do trabalho, da perda de renda e da deterioração dos salários.

Nesse contexto, defendeu maior diálogo com trabalhadores autônomos, microempreendedores e micro e pequenos empresários, que também enfrentam dificuldades econômicas.

Segurança pública e desenvolvimento da Amazônia

Edinho incluiu a segurança pública entre os temas que precisam integrar a agenda política do PT. Segundo ele, a segurança é um direito dos trabalhadores e das trabalhadoras, e o partido precisa apresentar respostas concretas ao desafio.

Outro ponto destacado foi a necessidade de formular um projeto de desenvolvimento para a Amazônia.

“Não podemos nos limitar a dizer o que não pode ser feito na região. Precisamos dizer o que pode, qual modelo de desenvolvimento econômico defendemos, como gerar riqueza, melhorar a renda e garantir condições dignas de vida para a população amazônica”, declarou.

Ao abordar a possibilidade de exploração de petróleo na Costa Equatorial, Edinho afirmou que é necessário discutir como essa riqueza poderá contribuir para o desenvolvimento regional, conciliando essa perspectiva com a transição energética, a produção de energia limpa e a sustentabilidade ambiental.

Reformas política e do Judiciário

O presidente do PT também defendeu uma profunda reforma política e eleitoral. Criticou o modelo de funcionamento do Congresso Nacional e afirmou que as emendas parlamentares podem se transformar em instrumentos de corrupção, como demonstrariam diversas denúncias.

Edinho defendeu ainda uma reforma do Poder Judiciário que aproxime a Justiça e o Ministério Público da realidade e das necessidades da população brasileira.

“Não é aceitável que essas instituições permaneçam tão distantes do cotidiano da população”, afirmou.

Ao concluir sua avaliação sobre os rumos do partido, Edinho declarou que não tem compromisso com a manutenção de estruturas ou práticas que impeçam a renovação do PT.

“Meu compromisso é com o fortalecimento do partido, com seu projeto coletivo e com sua capacidade de continuar sendo um instrumento de transformação da sociedade brasileira”, afirmou.

E acrescentou: “O PT não pode deixar de ser o partido da mudança, o partido da transformação e um grande instrumento de luta do povo brasileiro”.

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