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Trabalhadores rurais acusam Grupo Pedreira Monteiro de ameaçar famílias acampadas em Traipu

por | 27 abr, 2022

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Na ação, homens tiveram apoio da PM | Cortesia

Dezenas de famílias do Acampamento Mandacaru, localizado no município de Traipu, Agreste de Alagoas, se sentem ameaçadas. Segundo relatam, desde a última segunda-feira (25), o local, onde vivem há quase duas décadas, registra a presença de homens que se dizem arrendatários das terras.

Além de tentarem retirar a bandeira do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) hasteada no local, eles teriam dado o recado de que “as famílias sairiam dali de um jeito ou de outro”. Os agricultores acusam o Grupo Pedreira Monteiro pelas ameaças e o MST está acionando os órgãos competentes para acompanhar o caso.

De acordo com as denúncias, na terça-feira (26), os homens voltaram ao acampamento com mais homens em dois carros e com uma viatura da Policia Militar. Um deles identificou-se como Pedro Monteiro, dizendo-se gerente da Pedreira e da fazenda do Grupo Monteiro, afirmando que estava ali para garantir a desocupação do imóvel.

Ele apresentou um documento expedido em 2019, pela Justiça Estadual, dizendo que a desocupação das terras seria uma ordem judicial e que as famílias tinham 15 dias para saírem dali.

Segundo o MST, o documento não tem mais validade jurídica e ainda foi usado de forma indevida pelo suposto gerente, que estava querendo fazer o papel do oficial de justiça. A ação desconsiderou, inclusive, a determinação do Supremo Tribunal Federal (STF), de que até final de junho de 2022 nenhuma família deve ser despejada em áreas urbanas ou rurais.

Homens circulam por acampamento desde segunda | Cortesia

“Entre o grupo de homens que acompanhava Pedro Monteiro alguns nem desceram dos carros, numa demonstração de que estavam ali pra mapear a área e pessoas, dentre eles o ex-vice prefeito da cidade de Girau do Ponciano, Severino Correia Cavalcante, conhecido como Severino do Chapéu na região, que já esteve outras vezes no Acampamento, ameaçando passar com trator e com bala por cima das pessoas que continuassem na área”, denunciou o Movimento Sem terra.

Segundo as famílias acampadas, além de quererem a desocupação em até quinze dias, o grupo deixou o recado de que vão chegar tratores e máquinas, além de tentarem saber quem eram pessoas no acampamento, procurando nomes, “numa explícita tentativa de buscar identificar e marcar lideranças da área, forma clássica de ameaça e intimidação às famílias Sem Terras”.

Há poucos quilômetros do Acampamento Mandacaru, na mesma região, foi assassinado em 2003 Luciano Alves, conhecido como Grilo.

Famílias prometem resistir | Cortesia

Mandacaru Resiste!

O Acampamento que existe desde o ano de 2003, reúne famílias de agricultoras e agricultores que vivem da roça, em especial da produção de feijão, milho, palma e criação de pequenos animais. A área ainda conta com uma escola de jovens e adultos que atende os acampados e acampadas.

O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) já tentou desapropriar a área para fins de Reforma Agrária, mas, em decorrência de dívidas do Grupo, não foi possível. Dentre os credores estão o Banco do Nordeste, que inclusive era terceiro interessado no processo, tendo interesses em receber as terras como pagamento da dívida.

No início de 2020, mesmo após várias tentativas de negociação com o Poder Público, as famílias foram despejadas da área e, após o início da pandemia, retornaram para a terra no mês de abril na tentativa de manter a sobrevivência e trabalho na terra.

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