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Praga: lagartas devastam plantações de pinha em Estrela de Alagoas e safra está comprometida

por | 17 abr, 2020

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Praga já invadiu 30 propriedades na região | Divulgação

Uma praga vem destruindo plantações de pinha no município de Estrela de Alagoas, no Agreste do Estado. Em algumas propriedades, as perdas são totais, deixando os agricultores preocupados. Trata-se da Gonodonta sp., popularmente conhecida como lagarta dos capinzais, que já causou prejuízos em, pelo menos, 30 propriedades na região.

Uma delas é a que pertence ao agricultor José Augusto dos Santos, de 62 anos, que ocupa uma área de 40 tarefas. Ele não sabe o que fazer diante da destruição provocada pelas lagartas.

“Dessa atividade eu tiro o meu sustento, da mulher e de oito filhos, vendendo pinha para Recife, Maceió e Aracaju. Essa lagarta já tinha aparecido outras vezes, a última, acho, que há uns cinco anos, mas sempre em um pé aqui, outro acolá. Agora acabou com 90% da plantação. A gente não sabe o que fazer, porque não dá para plantar milho ou feijão, o comércio é pouco e o tempo não ajuda. Meus filhos tiveram que buscar serviço fora”, relata.

Preocupados com as perdas, produtores procuraram o presidente do Sindicato Rural da região de Palmeira dos Índios, Nielson Barros. “Visitei algumas propriedades e, diante da gravidade da situação, solicitei o apoio da assistência técnica do Senar Alagoas, pois os agricultores não sabiam como lidar com uma praga tão devastadora. A ajuda veio por meio do projeto Agronordeste”, relembra Nielson.

O trabalho de assistência técnica começou no início deste mês. Os 30 produtores são atendidos pela engenheira agrônoma e técnica de campo do Senar Alagoas, Ellen de Oliveira. “Na primeira visita às propriedades, percebi que todas estavam sendo atacadas e não havia nenhum controle. Alguns agricultores utilizavam inseticidas próprios para matar baratas e mosquitos, mas que não fazem efeito nesta praga, porque essa lagarta só pode ser controlada quando ainda está na fase inicial”, explica Ellen.

Orientações

Na fase adulta, não há controle para bichos, somente após virarem mariposas | Divulgação

A engenheira agrônoma vem orientando os produtores rurais sobre a utilização de produtos mais adequados e a importância da poda e da limpeza da área de plantio. Segundo Ellen, a presença da Gonodonta sp. é mais comum em capinzais e não há remédio específico para esta praga, principalmente, na cultura da pinha. “Por ela ser uma lagarta desfolhadora, nós indicamos os produtos utilizados para o combate a outros tipos de lagartas que mastigam as folhas, como a helicoverpa ou a spodoptera”, comenta.

A ausência de tratos culturais adequados e de um controle preventivo agravou a situação. Para Ellen, se a assistência técnica do Senar tivesse sido solicitada antes, o problema teria sido evitado. “Quando você tem uma área de 50 pés de pinha e apenas dois apresentam essa lagarta, é possível fazer o controle até mesmo com a catação manual, para que a praga não se espalhe. Outra medida importante é evitar capim ao redor da planta”, orienta.

“Não se pode controlar esta lagarta na fase adulta. Depois que cresce, é preciso esperar virar mariposa para fazer o controle. Neste momento, há muitas mariposas nas propriedades de Estrela de Alagoas e agora precisamos trabalhar para que o ciclo da praga seja quebrado”, afirma a engenheira agrônoma e técnica de campo do Senar Alagoas.

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