No início da noite desta sexta-feira, 12, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) informou que, nas últimas 24 horas, foram registradas mais 20 mortes e 831 pacientes infectados em Alagoas. Os dados oficiais mostram ainda que, até a sexta-feira, o Estado tinha 20.031 casos confirmados; 701 óbitos; 13.094 curados; 1.538 casos em investigação; e 101 municípios afetados.
Enquanto o órgão estadual de saúde registra, todos os dias, o aumento do número de alagoanos contaminados pelo novo coronavírus, a Associação Comercial de Maceió publica nota reclamando do novo decreto em que o governador Renan Filho estendeu para o dia 22 o isolamento social no Estado. Com isso, ficou adiada a data de reabertura de lojas, shoppings e outros serviços.

Kennedy Calheiros quer reabertura imediata de lojas, shoppings e comércio em geral
Foto: Reprodução
“Há um bom tempo já estamos preparados para este retorno, atendendo aos requisitos propostos pelas autoridades sanitárias e médicas e, por isso, acreditávamos que esse retorno aconteceria já nos próximos dias” – choramingou o presidente da ACM, empresário Kennedy Calheiros, na nota divulgada na última quinta-feira, 11. Pela declaração, Calheiros não está considerando o avanço da pandemia Covid-19, que já colocou Maceió como a capital com o maior crescimento no número de infectados pelo novo coronavírus em todo o Brasil.
Se esses números não forem suficientes para convencer o presidente da Associação Comercial de Maceió que o momento é grave, e por isso a volta à normalidade só trará mais mortes e pessoas infectadas, há ainda a avaliação do médico e neurocientista Miguel Nicolelis, que coordena o comitê científico do Consórcio Nordeste.
Para o especialista, “não é o momento de reabertura de atividades econômicas e relaxamento do isolamento social”. Em reportagem da Folha, Nicolelis deixa claro que “enquanto você tiver leitos ocupados com taxa de 80% e ainda tiver curvas ascendentes, você tem que manter [o isolamento)”.
Professor catedrático da Universidade Duke, na Carolina do Norte, no EUA, ele afirma que o fator mais prejudicial ao controle da pandemia no Brasil é a completa falta de coordenação nacional. “É uma inépcia completa. Se eu tivesse um mapa de risco da inépcia em vez do mapa de risco do coronavírus, o mapa seria totalmente vermelho”, disse o neurocientista à Folha.
Na entrevista, Miguel Nicolelis alerta que a pandemia ainda pode explodir.
“Haverá crescimento da demanda de leitos de UTI quando essa tempestade perfeita ocorrer. Já começou. Estamos nela, mas não explodiu da maneira que ela provavelmente pode explodir. Por isso, considerou a importância de quarentenas rígidas e a necessidade da população ficar alerta para a confluência do coronavírus com outras doenças do inverno.






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