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Moradores do entorno da Braskem desenvolvem problemas na tireoide

por | 8 abr, 2025

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Foto: Denis Maciel/DGABC

Por Tatiane Pamboukian, do Diário do Grande ABC

Moradores do entorno da Braskem, que possui quatro indústrias no Polo Petroquímico de Capuava, na divisa de Santo André com Mauá, acusam a poluição da região de ser responsável pela doença que desenvolveram na glândula tireoide. Estudos realizados nos últimos 15 anos pela pesquisadora e médica endocrinologista Maria Ângela Zaccarelli Marino relatam casos na população residente e mostram a correlação com as emissões de poluentes das chaminés das indústrias.

Moradora há 32 anos do Jardim Sonia Maria, em Mauá, na traseira de uma das fábricas da Braskem, a aposentada Maria Vitalina, 77 anos, há cerca de 20 desenvolveu hipotireoidismo e responsabiliza as empresas petroquímicas por sua doença. “Tenho medo de virar um câncer. Tomo remédio e não melhora. E essa situação já gerou tantas denúncias nesses anos todos em que estou aqui, mas nada muda, já sabemos que não tem jeito”, lamenta.

A dona de casa Tatiana Santos, 40, pouco tempo depois que se mudou para as imediações da Braskem e do Polo Petroquímico, no Jardim Sonia Maria, há três anos, desenvolveu hipotireoidismo. “Além dos sintomas da doença, de ter que tomar remédios, ainda tem o cheiro forte. Tem dia que é insuportável, há um fedor, um cheiro de enxofre”, afirma.

Um pouco mais distante, no Jardim Rina, em Santo André, a organizadora de ambientes Rose Porcel, 60, foi diagnosticada com hipotireoidismo e culpa as empresas do Polo Petroquímico. “Estou aqui há 27 anos e tem uns 15 que estou com problema de tireoide. Eu e 90% de Santo André está também por causa dessa fumaça preta. A gente acaba de lavar a casa e já vem uma fuligem preta. Isso é uma bomba atômica, inclusive, a Braskem explodiu há um ano e pouco, e pessoas morreram”, diz, fazendo referência ao acidente que ocorreu na indústria em 2023, resultando em dois óbitos e três feridos.

Questionada pelos impactos que a poluição emitida pela empresa ocasiona,  a Braskem informou ao Diário que monitora constantemente o processo de produção e tem certificação ISO 9000, 14000 e 14001, o que atesta seu alto grau de responsabilidade socioambiental. A empresa alega ainda que a “Braskem não pode se responsabilizar por problemas que não sejam decorrentes de suas operações” e que é “constantemente fiscalizada por órgãos ambientais competentes, que verificam periodicamente os dados de emissões atmosféricas das fábricas o que garante nossa licença ambiental de operação para pleno desenvolvimento de nossas atividades.”

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