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‘Estadão’ anuncia: Bolsonaro perdeu a utilidade para a burguesia brasileira

por | 14 abr, 2025

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Ex-presidente Jair Bolsonaro comparece ao primeiro dia de julgamento na Primeira Turma do STF que o tornou réu por tentativa de golpe de Estado | Gustavo Moreno/STF/Divulgação

O editorial de O Estado de S. Paulo de 13 de abril de 2025 revela uma mudança clara na postura da burguesia brasileira em relação a Jair Bolsonaro. A classe dominante, que foi a principal beneficiária de seu governo — especialmente por meio das privatizações, da desregulamentação econômica e de políticas que favoreciam grandes empresas, particularmente nos setores financeiros e industriais, assim como pela precarização dos direitos trabalhistas e das políticas sociais — agora vê sua relação com o ex-presidente chegar ao fim.

Bolsonaro, que antes atendia aos interesses da elite, tornou-se um obstáculo para esses mesmos interesses. Sua condenação pelo TSE, com a consequente perda dos direitos políticos por oito anos, selou sua ruptura com as elites.

O editorial é enfático ao afirmar que o Brasil precisa seguir em frente, deixando a Justiça lidar com o ex-presidente. Para as elites, Bolsonaro perdeu sua utilidade e deve ser afastado da cena política. Ao pedir sua prisão e criticar suas ações, o Estadão sinaliza que o ex-presidente falhou em atender às expectativas da classe dominante, tornando-se um empecilho para a estabilidade política desejada pelos grandes grupos econômicos.

A crítica também se estende ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, cuja aproximação com a pauta da anistia é vista como um erro estratégico. Tarcísio, figura importante da terceira via nas próximas eleições presidenciais, é advertido pelo Estadão de que sua associação com a agenda de Bolsonaro pode prejudicar sua trajetória política.

O jornal sugere que, enquanto Bolsonaro se dedica a defender uma causa que só lhe interessa, o Brasil precisa focar em questões mais urgentes, como a crise global e os desafios internos. As elites preferem que Tarcísio se distancie dos radicais de extrema-direita, se ele realmente deseja se posicionar como alternativa para o futuro político do Brasil.

O apelo do Estadão reflete um desejo claro da burguesia brasileira de retomar a estabilidade política e econômica. A classe dominante, que obteve grandes benefícios econômicos durante o governo Bolsonaro, agora quer que o Brasil siga em frente sem as distrações provocadas pela polarização gerada pelo ex-presidente e seus seguidores.

O objetivo é garantir que a agenda econômica, centrada em reformas neoliberais e privatizações, continue sem os impasses causados pela radicalização política. Nesse sentido, Tarcísio serve aos interesses das elites ao manter o programa de privatizações das empresas públicas de São Paulo. O editorial conclui que, para o Brasil prosperar, o sistema judiciário deve lidar com as questões relativas a Bolsonaro, e o país deve avançar sem se prender ao passado recente de polarização extrema.

O posicionamento do Estadão está em sintonia com o mercado financeiro, banqueiros, fundos de investimento e o grande capital industrial, tanto nacional quanto internacional. A mensagem é clara: Bolsonaro perdeu sua utilidade para as elites e deve ser afastado da cena política. As forças que participaram da tentativa de golpe devem ser responsabilizadas pela Justiça, pois essa é a “sentença” imposta pelo mercado e pelas elites. Não há espaço para gratidão ou lealdade nesse ambiente; os interesses econômicos, acima de tudo, guiam as ações da burguesia.

Portanto, a mensagem do Estadão não é apenas um pedido para que Bolsonaro e seus aliados sejam responsabilizados, mas também um sinal de que a classe dominante está pronta para seguir em frente. O que importa para as elites é a continuidade das políticas que atendem aos seus interesses econômicos.

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