A força da mobilização dos trabalhadores por aplicativo ecoou com potência nos corredores da Câmara dos Deputados na última terça-feira (23), durante uma audiência pública articulada pela bancada da CDU (Centro de Defesa da União), com a presença de lideranças de entregadores de diversas regiões do país. Em pauta, a luta por direitos, reconhecimento e condições dignas de trabalho para uma categoria que se tornou essencial e, ao mesmo tempo, invisibilizada.
Os depoimentos emocionados revelaram a dura realidade vivida nas ruas: jornadas extenuantes, ausência de garantias trabalhistas, acidentes constantes e a omissão das empresas diante da precarização generalizada.
“A gente não entrega só comida, a gente não entrega só remédios, medicamentos. A gente está entregando a nossa saúde, nossos sonhos. A gente está entregando o nosso tempo para a nossa família que a gente não tem”, afirmou Alexandro Sorriso, da Associação dos Motofretistas e Entregadores do Distrito Federal. Com voz firme, ele lembrou dos colegas que perderam a vida no trabalho: “Pais de família que saem para trabalhar todos os dias e muitos não voltam para casa. E você acha que eles ligam?”
A crítica direta às plataformas de entrega, como o iFood, foi reforçada por Gringo, da Associação dos Motofretistas de Aplicativos do Brasil:
“Uma coisa que o Big Brother não mostra é que o iFood entrega comida sim, mas ele também entrega exploração, precarização da profissão, sequelas, acidentes, ele entrega mortes e ele destrói família. E isso não é mostrado em lugar nenhum.”
A ausência de representantes das empresas de aplicativos na audiência foi recebida com indignação pelas lideranças. JR Freitas, da Associação dos Entregadores de Aplicativos de São Paulo, não poupou palavras:
“Eles não ligam porque se ligassem eles estariam aqui olhando frente a frente no osso de cada um, que amanhã pode ser qualquer um de nós. Eles não mandaram ninguém. Isso mostra que a luta vai precisar intensificar. E a gente não vai desistir. O próximo breque vai ser, sim, pior do que o anterior. A gente vai pra cima. Vamos juntos!”
A audiência evidenciou o abismo entre os discursos das empresas e a realidade enfrentada por milhares de trabalhadores nas ruas do país. Com a promessa de continuidade na mobilização, os entregadores deixaram claro que não aceitarão mais calados a invisibilidade e a exploração: “Não estamos de brincadeira”.






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