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Doenças do trabalho na Polícia Militar: o preço da farda

por | 2 maio, 2025

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Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

A rotina dos policiais militares no Brasil é marcada por um conjunto de fatores que adoece o corpo e a mente. Lesões por arma de fogo, traumas físicos e hipertensão são vistos por profissionais da área de saúde da própria corporação como quase inevitáveis — consequências naturais da função. Mas naturalizar esse sofrimento significa ignorar que ele é, em boa parte, produzido pela forma como o trabalho é organizado.

Não é raro que policiais enfrentem jornadas longas, com pouco tempo para cuidar da própria saúde. A alimentação irregular, a falta de atividade física e o estresse constante contribuem para o aumento de doenças cardiovasculares, obesidade e distúrbios metabólicos. Soma-se a isso a falta de estrutura: muitos trabalham sem viaturas adequadas, sem armamento em boas condições, sem calçados e fardamento próprios para a atividade que exercem.

A sensação de insegurança, que deveria ser externa, passa a ser vivida internamente. A precariedade material gera um estado de alerta contínuo, que afeta a saúde emocional. Transtornos de ansiedade, depressão, uso abusivo de substâncias e até o suicídio são sintomas de um ambiente de trabalho doente.

Para suportar essa carga, a corporação se apoia em uma cultura de resistência. Expressões como “é a rua que ensina” ou “o policial é superior ao tempo” substituem a ausência de planejamento, protocolos baseados em evidências e apoio psicológico. A experiência da rua vira escola e escudo. Como explica o psiquiatra e pesquisador Christophe Dejours, esse tipo de sofrimento pode ser transformado quando há reconhecimento e apoio institucional. Mas, quando isso não ocorre, o sofrimento vira adoecimento.

Dentro da instituição, o que compensa os riscos e o desgaste não são políticas de saúde ou segurança, mas a valorização simbólica: o reconhecimento dos colegas, o orgulho da farda, o espírito de corpo. Isso sustenta a permanência mesmo diante da exaustão, da dor ou do medo.

Se o Estado exige tanto de seus agentes de segurança, precisa, no mínimo, garantir que a proteção da sociedade não custe a destruição de quem a promove. A saúde dos policiais deveria ser prioridade de qualquer política pública séria de segurança — não um detalhe esquecido no meio da tropa.

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