A Braskem, mesmo sendo responsável por este que é considerado o maior crime socioambiental em área urbana no mundo, continua impune há 7 anos, lembrando que o sistema de justiça em Alagoas não moveu até o momento nenhuma ação criminal sobre a mineradora, mas celebrou um acordo injusto, que deixou as vitimas em uma situação totalmente vulnerável perante a Braskem. Não bastasse a impunidade, a Braskem tem sido beneficiada pelo estado brasileiro através de autorizações que ampliam seu campo de atividades e lucros, como foi o caso da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ) que permitiu a Braskem se tornar também empresa de navegação.
E não para por aí, a Braskem ainda tem usado o sistema jurídico como ferramenta para conter as vozes que resistem, através de processos judiciais dirigidos contra suas vítimas. E, o que é ainda mais grave, representantes do sistema de justiça em Alagoas que deveriam tão somente defender os direitos das vítimas estão também processando lideranças, como é o caso de Alexandre Sampaio. Nós cidadãos que mantemos o judiciário, estamos pagando para sermos revitimizados e não protegidos como deveria ser.
O que está em curso é um tipo de reparação que não repara de verdade. É uma reparação que exclui as vítimas do debate e da construção dos acordos, que impõe decisões, que limita possibilidades de contestação e ainda tenta calar qualquer voz que discorde. Em vez de diálogo, controle. Em vez de escuta, silenciamento. Essa realidade nos remete ao pensamento do filósofo Byung-Chul Han, que fala sobre a expulsão do outro e a negação do conflito. Em vez de reconhecer a dor e a diferença, nossa sociedade expulsa o outro. O conflito, que deveria ser um motor para mudanças, é tratado como um barulho incômodo que precisa ser abafado. A dor das vítimas, portanto, não é apenas negada é criminalizada.
É por isso que precisamos, com urgência, fazer uma pergunta essencial:
Como você quer ser lembrado? Como alguém que se calou? Como alguém que foi negligente? Como quem negou os direitos das vítimas e reforçou o discurso oficial de que está tudo resolvido? Ou como quem esteve, com coragem e compromisso, ao lado das vítimas, reconhecendo sua luta legítima e seu direito à justiça?
O que está em jogo aqui é a responsabilidade histórica.
Como o Estado brasileiro, o sistema de justiça, as instituições e as pessoas serão lembrados por sua postura diante desse crime? A história vai registrar e cobrar cada escolha feita neste momento. Quem se omitiu. Quem defendeu a Braskem. Quem tentou silenciar. E quem, apesar de tudo, esteve do lado certo da história: o lado da verdade, da dignidade e da justiça. Ainda é tempo de romper com o silêncio e com a normalização da injustiça. Ainda é tempo de agir com ética, escuta e responsabilidade. E você? Como quer ser lembrado?
*Bióloga e doutoranda do Sotepp/Unima







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