A atual gestão do prefeito de Maceió, João Henrique Caldas (JHC), tem à sua disposição um volume inédito de recursos financeiros. Entre os repasses, estão os R$ 2,6 bilhões oriundos do acordo firmado com a Braskem — chancelado pelos Ministérios Públicos Federal e Estadual, além da Defensoria Pública da União — e mais R$ 289 milhões recebidos pela concessão dos serviços da Casal. O total soma quase R$ 2,95 bilhões.
Apesar dessa montanha de dinheiro, os serviços públicos essenciais continuam desarticulados e longe de atender com dignidade a população maceioense. Falta política pública efetiva. A área social, em especial, atravessa um período dramático.
Uma das promessas de maior impacto da atual gestão, a criação de 10 mil vagas em creches, tem sido executada de forma improvisada: as unidades funcionam em galpões ou prédios adaptados, fora dos padrões estabelecidos pelo Ministério da Educação. Segundo divulgado, o prefeito pretende investir R$ 166 milhões nos chamados “Gigantinhos”, com gestão entregue ao Instituto Igeve, uma ONG paulista que já recebeu dezenas de milhões em repasses.
Enquanto isso, a rede pública de ensino agoniza. Escolas sem ventiladores ou ar-condicionado transformam salas de aula em saunas, comprometendo a saúde e o aprendizado de crianças e professores.
Na área da saúde, a situação é de calamidade. Unidades básicas de saúde não têm condições de realizar exames simples, e as filas se acumulam. Há denúncias de que empresas terceirizadas contratam pessoal sem a devida qualificação, transformando o atendimento em um cabide de empregos políticos.
A população em situação de rua segue desassistida, sem acesso a abrigos em condições salubres ou a programas eficazes de reintegração. Dependentes químicos são ignorados pelas políticas públicas de saúde e assistência, vistos não como cidadãos em sofrimento, mas como estorvos.
No setor cultural, os investimentos seguem caminho contrário à valorização dos artistas locais. Milhões de reais são destinados a atrações de fora, enquanto artistas alagoanos acumulam mais de um ano de atraso no pagamento de cachês irrisórios. A gestão cultural é marcada por ostentação e desequilíbrio.
O escândalo mais recente envolve a publicidade institucional. Os gastos foram tão elevados que o Ministério Público Estadual solicitou o congelamento das verbas, exigindo que parte do dinheiro fosse redirecionada para resolver o colapso do transporte escolar. Atualmente, mais de 50 mil crianças estão fora da escola por falta de transporte — reflexo direto da inércia da prefeitura em realizar a licitação do serviço.
A projeção nacional de JHC tem sido construída, segundo muitos críticos, às custas do sucateamento dos serviços públicos municipais. Em vez de um salto na qualidade de vida da população, a gestão entrega improviso, descaso e maquiagem midiática.






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