
Reunião realizada na terça-feira, na Sala dos Conselhos Superiores, quando foi apresentado o painel orçamentário da Ufal | Assessoria
A Universidade Federal de Alagoas (Ufal) enfrenta o momento mais crítico de sua história recente. Em reunião realizada nessa terça-feira (13) com servidores, gestores e representantes sindicais, a administração central revelou um quadro de estrangulamento financeiro que ameaça a continuidade das atividades da instituição. Se não houver liberação de recursos extras, a previsão é que a Ufal só consiga funcionar até setembro deste ano.
“Já adotamos todas as medidas possíveis. Agora, a sobrevivência da Universidade depende de uma resposta urgente do governo federal”, afirmou o reitor Josealdo Tonholo. Entre os principais problemas está o limite mensal de execução orçamentária imposto por decretos federais, que só permite o uso de 1/18 do orçamento — cerca de R$ 4,4 milhões por mês. No entanto, o mínimo necessário para manter contratos essenciais, como segurança e limpeza, gira em torno de R$ 6 milhões mensais.
O orçamento discricionário para 2025 sofreu redução nominal de 0,38% em relação a 2024, mas a perda real ultrapassa 5% com a inflação. Além disso, a Ufal acumula um passivo superior a R$ 15 milhões, sendo R$ 9,4 milhões herdados do exercício de 2024.
Os cortes já impactam diretamente o cotidiano da universidade: contratos de limpeza foram reduzidos em 20%, resultando em demissões; a jardinagem foi extinta; passagens e diárias foram suspensas; e reformas e concursos públicos, cancelados. Mesmo o contrato de segurança sofreu readequações, como a substituição da vigilância armada.
Apesar do cenário, a assistência estudantil foi preservada, garantindo o funcionamento de restaurantes universitários e pagamento de bolsas. Ainda assim, não há recursos para obras de infraestrutura nem para garantir acessibilidade nos campi.
Segundo o pró-reitor Jarman Aderico, 40% do orçamento só devem ser liberados em novembro. “Até lá, vamos operar com déficit. Setembro é o nosso limite”, alertou. A vice-reitora Eliane Cavalcanti reforçou que não se fala em “fechar as portas”, mas que a mobilização da comunidade é essencial.
A Ufal também criou um Observatório de Contratos para reavaliar custos e buscar formas mais eficientes de gestão, tentando prolongar o funcionamento com os recursos disponíveis. “Estamos trabalhando com austeridade e responsabilidade, mas chegamos ao limite”, disse o coordenador José Edson Lima.
Nesta quinta-feira (15), a Pró-reitoria de Gestão Institucional vai se reunir com estudantes para apresentar o mesmo diagnóstico, com o objetivo de engajar a comunidade acadêmica na defesa da universidade.
“Estamos resistindo, mas gritamos por socorro”, desabafa o reitor Tonholo. “O que está em jogo não é apenas a sobrevivência da Ufal, mas o futuro da educação pública superior em Alagoas.”





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