O historiador e jornalista Geraldo de Majella lança, no próximo dia 19 de maio, às 19h, no Armazém Guimarães, em Maceió, seu décimo segundo livro: A Voz do Povo – A história do jornal que sobreviveu à violência de governadores, formou profissionais e provocou a fúria da elite de Alagoas. A obra reconstrói a trajetória do periódico do Partido Comunista Brasileiro (PCB) e seu papel na formação política, cultural e social de Alagoas, especialmente entre trabalhadores e militantes.
O prefácio é assinado pelo professor e sociólogo Lúcio Verçoza, que destaca o valor da obra como um exercício de reconstrução da memória histórica. “A leitura deste belo e necessário livro me trouxe à mente uma frase de Ecléa Bosi: ‘Memória é trabalho’. Majella assume essa tarefa por meio de uma investigação historiográfica rigorosa, que devolve à cena pública um importante capítulo da luta de classes em Alagoas”, afirma Lúcio.
O livro não se limita a narrar a trajetória institucional de um jornal partidário, mas revela como A Voz do Povo se inseriu nas disputas políticas e sociais de seu tempo. “Não se trata de um livro meramente sobre o jornal do Partido Comunista Brasileiro (PCB), mas, sobretudo, sobre como A Voz do Povo se insere nas tensões de classes e nos embates políticos da formação social alagoana”, afirma Verçoza.
O jornal circulou com denúncias sobre as precárias condições de trabalho em usinas, fábricas têxteis e fazendas de cana, além de relatar expropriações de terras e outras violações de direitos. Mas a linha editorial do jornal também era propositiva: informava os trabalhadores sobre seus direitos previdenciários e propagava os ideais do socialismo e do comunismo.
Com uma linguagem acessível, o periódico se destacava ainda por abordar o cotidiano, com notícias sobre futebol, fatos curiosos dos bairros e municípios, além de publicar contos, crônicas e poesias. Para Lúcio Verçoza, A Voz do Povo era um jornal contra-hegemônico, diferente de um panfleto político voltado apenas para o público militante. “As páginas do jornal não escreveram apenas linhas da história política, mas são fonte para uma história social do trabalho em Alagoas”, completa o sociólogo.
A pesquisa realizada por de Majella, que utilizou documentos, depoimentos e fontes bibliográficas, lança luz sobre personagens e momentos esquecidos da história alagoana. O autor recupera, por exemplo, passagens que retratam a vida de operários e camponeses por meio dos relatos de colaboradores do jornal vindos de diferentes origens sociais.
Verçoza afirma que a importância da obra vai além do meio acadêmico. “Faço votos de que não seja lida apenas por pesquisadores. É por várias frentes, linguagens e signos que se constrói a memória”, afirma. “Sem essas lutas conduzidas por pessoas abnegadas, certamente estaríamos vivendo hoje num mundo ainda pior,” concluiu Lúcio Verçoza.










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