Durante a pandemia de COVID-19, o Auxílio Emergencial foi criado com o objetivo de garantir uma renda mínima a milhões de brasileiros desempregados, informais e em situação de vulnerabilidade. No entanto, o programa foi alvo de uma das maiores fraudes da história recente do país — e parte dela foi cometida por membros das Forças Armadas e das policias.
Em 2020, o Tribunal de Contas da União (TCU) revelou que mais de 79 mil militares — entre ativos, inativos e pensionistas — receberam o Auxílio Emergencial indevidamente. A irregularidade foi caracterizada como fraude, pois os critérios do programa excluíam pessoas com vínculo público e renda regular, como é o caso dos militares. Ainda assim, os pagamentos ocorreram em larga escala, sem controle efetivo por parte do governo federal.
O escândalo teve repercussão nacional, mas, sob o comando do então presidente Jair Bolsonaro (PL), o Ministério da Defesa não promoveu nenhuma apuração profunda, tampouco houve investigação por parte do Executivo para identificar os responsáveis. A impunidade prevaleceu. Nenhum militar foi punido administrativamente, exonerado ou obrigado a devolver os valores de forma ampla e exemplar.
Além disso, a Controladoria-Geral da União (CGU) apontou que mais de 5 milhões de pessoas receberam o Auxílio de forma irregular, causando um rombo de mais de R$ 9 bilhões aos cofres públicos. A ausência de cruzamento de dados, a eliminação dos critérios técnicos do Bolsa Família e a centralização do programa no Ministério da Cidadania — controlado por aliados políticos de Bolsonaro — favoreceram o uso eleitoreiro e desorganizado dos recursos públicos.
O episódio dos militares beneficiados indevidamente simboliza a política de dois pesos e duas medidas que marcou o governo Bolsonaro: enquanto trabalhadores informais eram ameaçados de corte por supostos erros no cadastro, milhares de membros das Forças Armadas e das policias se beneficiavam do dinheiro destinado à população vulnerável — sem consequências.






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