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Gestão de aparências: os R$ 300 milhões de JHC derretem na lama das grotas

por | 23 maio, 2025

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Reprodução

Por Geraldo de Majella*

O prefeito de Maceió, João Henrique Caldas (JHC), transformou suas redes sociais em palanque permanente e sua gestão em um espetáculo de fumaça e espelhos. Usa jargões com aparência técnica, cifras bilionárias e vídeos cuidadosamente editados para convencer o público de que a cidade está no rumo certo. Mas basta uma chuva mais forte para que essa encenação desmorone — literalmente — sobre casas rachadas, alagadas e abandonadas nas grotas e periferias da capital.

JHC fala de um tal Previne Maceió, um “planejamento” que, segundo ele, é feito anualmente para o ano seguinte. Mas a realidade desmente esse roteiro. Em bairros como Flexais, Clima Bom, Bom Parto, Vale do Reginaldo, Jacintinho, Tabuleiro e orla lagunar, as pessoas seguem perdendo tudo em enchentes previsíveis. Não há rede de drenagem eficiente, não há política habitacional, não há presença pública real — há apenas o marketing da presença, encenado sob medida para as redes sociais.

O prefeito anuncia R$ 300 milhões em obras de infraestrutura e cita uma PPP de drenagem. Mas onde estão os resultados? Onde estão os canais reestruturados, as encostas estabilizadas, as moradias reconstruídas? A população não vê. Em vez disso, assiste a vídeos gravados em cenários previamente higienizados, longe da ira dos que perderam seus móveis, suas casas e, muitas vezes, a esperança de ver algo mudar.

JHC também exalta os 150 Nudex — Núcleos de Defesa Civil — como uma grande inovação. Mas esses núcleos, mesmo que bem-intencionados, operam de forma paliativa, sem atacar o centro do problema: o abandono da infraestrutura básica nas regiões mais pobres da cidade. São ações emergenciais que, embora necessárias, não substituem políticas públicas estruturantes.

Chama atenção o fato de o prefeito não ter aparecido no Vale do Reginaldo, uma das regiões mais atingidas pelas chuvas. Lá, dezenas de famílias perderam móveis, utensílios conquistados com esforços. Por que JHC evita esse território? Por que o gestor que tanto se exibe em cenários ensaiados não encara a realidade nua e crua da população abandonada? O silêncio diante da dor real, somado à ausência física e simbólica do poder público, escancara o abismo entre o discurso digital e a ação concreta. O Vale do Reginaldo não cabe nos vídeos de campanha disfarçados de prestação de contas — ali, não há como esconder o fracasso do “renascimento” prometido.

A gestão se resume a isso: discurso pronto, cenário limpo, números jogados ao vento e vídeos publicados como se fossem prova de eficiência. A população, no entanto, continua sendo tratada como figurante descartável — útil apenas para compor a estética do gestor performático.

JHC governa pela imagem, pela estética da ação e pela retórica do investimento. Mas a cidade real — a que desaba a cada inverno — exige mais do que marketing: exige planejamento verdadeiro, obras concretas e compromisso com quem vive à margem da vitrine que ele tenta manter polida. Porque os R$ 300 milhões que ele tanto repete, na prática, têm escorrido junto com a lama dos barrancos, expondo uma gestão que promete muito e entrega pouco ou quase nada.

*Historiador e jornalista

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