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Majella lança ‘A Voz do Povo’ e resgata história silenciada da imprensa alagoana

por | 26 maio, 2025

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Reprodução

Nesta terça-feira, 27 de maio, às 19h, o historiador e jornalista Geraldo de Majella lança seu novo livro, A Voz do Povo – A história do jornal que sobreviveu à violência de governadores, formou profissionais e provocou a fúria da elite de Alagoas. O evento acontece no Armazém Guimarães, no bairro da Jatiúca, em Maceió, com entrada gratuita.

Mais do que revisitar um veículo de comunicação, Majella mergulha em um enredo de tensões políticas, repressão e resistência que atravessa décadas da história alagoana. Com base em documentos raros, entrevistas inéditas e memórias preservadas no fio da oralidade, o autor recompõe a trajetória do jornal A Voz do Povo — um projeto editorial nascido em meio a disputas ideológicas e que se manteve ativo mesmo diante da repressão promovida por governadores como Silvestre Péricles e Arnon de Mello, além da oposição de setores da elite empresarial do estado.

Geraldo de Majella | Divulgação

“O livro nasce da necessidade de iluminar um território quase esquecido da nossa história recente. A Voz do Povo não foi apenas um jornal. Foi uma trincheira, um ponto de encontro entre a palavra e a coragem”, afirma Majella.

A pesquisa do autor se apoia em fontes que escaparam aos olhares de trabalhos anteriores. Ele entrevistou nomes como Nilson Miranda — jornalista e ex-vereador, que teve papel decisivo na reativação do jornal em 1956, após anos de clandestinidade — e reuniu depoimentos de Laudo Leite Braga e Rubem Figueiredo Ângelo, integrantes da redação do periódico.

Nilson Miranda (e) e Teotônio Vilela | Arquivo

 

O livro também rememora a atuação de Jayme Amorim de Miranda, então diretor-responsável do jornal e uma das principais lideranças comunistas em Alagoas. Com a posse de Sebastião Marinho Muniz Falcão, em 1956, o jornal voltou à legalidade, com a abertura da sede e circulação regular, podendo atuar sem sofrer repressão policial.

Após cumprir um ano de prisão por “atividades comunistas” durante o governo Arnon de Mello, Jayme foi enviado pelo PCB ao estado do Pará. Seu retorno a Alagoas ocorreu em 1957, quando reassumiu a direção do jornal em meio à crise política que culminou no processo de impeachment aberto pela UDN contra o governador Muniz Falcão.

Com esse novo título, Geraldo de Majella reafirma sua dedicação à reconstrução da memória política alagoana, lançando luz sobre experiências que, embora silenciadas no tempo, foram decisivas para a formação de um pensamento crítico e popular no estado.

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