Por Geraldo de Majella*
No plenário da Comissão de Infraestrutura do Senado Federal, nesta terç-afeira,27, não se travou um debate sobre a pavimentação de uma rodovia. O que se viu foi uma sessão de agressões pessoais a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva.
Os senadores Omar Aziz (PSD-AM), Plínio Valério (PSDB-AM) e Marcos Rogério (PL-RO) montaram, com precisão calculada, uma emboscada parlamentar. Uma arapuca discursiva, recheada de ironias, desinformações e ataques pessoais, com o claro objetivo de desestabilizar Marina Silva — uma das figuras mais respeitadas internacionalmente na luta ambiental.
Não se trata de divergência técnica sobre a BR-319. Trata-se de um conflito de civilizações. De um lado, os que se alinham à barbárie travestida de desenvolvimento, sedentos por mais terra, mais gado, mais veneno, mais destruição. Do outro, os que carregam a esperança de um Brasil soberano, equilibrado, com floresta em pé e povos vivos.
A rodovia defendida com fúria pelos senadores-amazonenses representa, sob o pretexto de “ligar o Amazonas ao restante do país”, o avanço desenfreado do agronegócio predatório e da grilagem, levando fogo e motosserra para o coração da floresta. Esses parlamentares não falam em nome dos indígenas, dos quilombolas, dos ribeirinhos. Usam essas populações como escudo retórico para esconder seus reais interesses: atender aos financiadores de campanhas e aos projetos de poder que têm como base a devastação.
Marina Silva não se calou. Não se dobrou. Não recuou. Com coragem, serenidade e firmeza, desmascarou a tentativa vil de transformá-la em bode expiatório de um modelo de destruição legitimado pelo “PL da Devastação”, recém-aprovada por aquela casa legislativa. Seus algozes queriam convertê-la em vilã de uma farsa montada por quem jamais se importou com o bioma amazônico. Perderam. Não vão emparedá-la.
Com estatura moral e política elevada, Marina Silva saiu da armadilha como uma gigante diante dos bárbaros. Amparada pela fala precisa da senadora Eliziane Gama (PSD-MA) e pela intervenção firme do senador Rogério Carvalho (PT-SE), mostrou que a luta ambiental no Brasil tem nome, tem princípios e não se curva aos caprichos de oportunistas nem à lógica de mercado.
É preciso nomear o que aconteceu: foi uma agressão política e simbólica contra a agenda ambiental e seus defensores. O que está em jogo é o futuro de todos nós. Não haverá democracia sustentável sem floresta, sem ar puro, sem água, sem vida.
Aos que tramaram esse espetáculo grotesco, só há um destino possível:
Vão pra Tonga da Mironga do Kabuletê.
*Historiador e jornalista






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