A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva (Rede), afirmou em entrevista publicada na quarta-feira (29) pela Folha de S.Paulo que não se sente isolada dentro do governo Lula e que não cogita deixar o cargo. Marina reconheceu que há contradições internas na gestão federal, atribuídas à composição de uma frente ampla, mas destacou que a agenda ambiental tem avançado e conta com o respaldo do presidente.
“Não há governo de frente ampla sem contradições. O importante é saber como elas são tratadas”, declarou Marina, ao comentar as disputas em torno de temas ambientais dentro do Executivo. Ela ponderou que, apesar das divergências, o compromisso com o enfrentamento da crise climática tem se mantido.
Segundo a ministra, resultados importantes foram alcançados desde o início do terceiro mandato de Lula. Entre eles, Marina citou a queda no desmatamento da Amazônia, o avanço da regulação do mercado de carbono e a reinserção do Brasil no debate ambiental global. “Temos o apoio do presidente, e isso faz diferença”, afirmou.
Questionada sobre o embate com setores do agronegócio e da área de infraestrutura, a ministra respondeu que é natural haver tensão quando se trata de interesses distintos. “Se todo mundo pensasse igual, não seria frente ampla, seria partido único”, ironizou.
Marina também rechaçou especulações de que estaria politicamente isolada no governo ou prestes a deixar o ministério. “Não estou isolada. Estou trabalhando. Tenho uma equipe comprometida e dialogamos com vários ministérios”, disse. Ela acrescentou que sua permanência está atrelada à capacidade de seguir promovendo avanços reais na política ambiental brasileira.
Para a ministra, o atual momento exige maturidade política para lidar com as diferenças. “É necessário ter clareza sobre o que está em jogo: a sobrevivência da humanidade, dos povos indígenas, da biodiversidade. Não podemos recuar.”
A entrevista de Marina ocorre em um contexto de crescente pressão sobre a pauta ambiental, tanto por atores econômicos quanto por aliados do governo no Congresso Nacional. Ainda assim, a ministra se mantém firme em sua posição, apostando na articulação e na continuidade do trabalho para consolidar uma política climática robusta e de longo prazo.






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