Nos últimos meses, uma série de prisões e apreensões de drogas envolvendo parentes e pessoas próximas a políticos alinhados ao ex-presidente Jair Bolsonaro tem chamado atenção e aumentado as críticas sobre a relação nebulosa entre grupos bolsonaristas e o tráfico de entorpecentes.
O caso mais recente envolve o primo do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), Glaycon Ranieri de Oliveira Fernandes, preso em flagrante em Uberlândia (MG) com mais de 30 quilos de maconha e 3,8 gramas de cocaína. A prisão reacendeu cobranças por posicionamentos do parlamentar, que destina emendas milionárias a municípios ligados à família, mas permanece silente diante das acusações que pairam sobre seus parentes.
Protagonista de embates com Nikolas, o deputado federal André Janones (Avante-MG) adotou um tom cauteloso, mas crítico: “Até o momento, não existe nenhuma prova cabal que ligue Nikolas Ferreira ao narcotráfico, porém as investigações seguem e a qualquer momento novas revelações virão à tona”, disse Janones em suas redes sociais.
Mais casos entre aliados do bolsonarismo
Além do primo de Nikolas, outros episódios recentes também ligam familiares e aliados do bolsonarismo ao tráfico de drogas:
• Avião da igreja do tio da senadora Damares Alves apreendido com 290 kg de maconha
Em maio de 2023, um monomotor da Igreja do Evangelho Quadrangular, liderada pelo pastor e ex-deputado Josué Bengtson — tio da senadora Damares Alves (Republicanos-DF) — foi interceptado pela Polícia Federal no Aeroporto de Belém (PA) com uma carga de 290 kg de maconha do tipo skunk. Apesar da tentativa inicial de justificar que a igreja denunciou a droga, a PF informou que monitorava a aeronave há meses. A carga foi avaliada em mais de R$ 4 milhões.
• Caminhão da empresa da família do senador Jorge Seif apreendido com mais de 320 kg de maconha
Em março de 2023, a Polícia Rodoviária Federal apreendeu 322,9 kg de maconha em um caminhão registrado em nome da empresa JS Pescados, ligada à família do senador Jorge Seif Júnior (PL-SC), ex-secretário da Pesca do governo Bolsonaro. O senador alega que o veículo havia sido vendido meses antes, mas documentos oficiais indicam que ainda estava em nome da empresa da família.
A comitiva presidencial e o voo do pó: 39 kg de cocaína
Esses episódios somam-se a um caso emblemático que expôs o envolvimento direto de agentes da segurança da presidência da República com tráfico de drogas. Em 2019, um sargento da Força Aérea Brasileira foi preso na Espanha transportando 39 kg de cocaína em um avião oficial da comitiva presidencial. O episódio gerou repercussão internacional e revelou a fragilidade dos controles sobre os membros do círculo presidencial.
Repercussão política
Para críticos do bolsonarismo, esses casos demonstram uma contradição entre a retórica anticrime dos aliados de Jair Bolsonaro e o aparente envolvimento de familiares e aliados em esquemas ilícitos. Parlamentares opositores têm cobrado posicionamentos públicos e rigor nas investigações.
“Não se trata de perseguição política, mas da necessidade urgente de esclarecer se há ou não uma rede de proteção ao tráfico entre os bolsonaristas e seus familiares”, afirmou André Janones.
Até o momento, os envolvidos negam qualquer relação com as drogas apreendidas, e as investigações seguem em andamento.





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