Por Geraldo de Majella*
O cenário político de Alagoas está marcado por uma disputa intensa entre três grupos. De um lado, o MDB, liderado por Renan Calheiros, Renan Filho, Paulo Dantas e Marcelo Victor, que detém o controle do governo estadual, a ampla maioria das prefeituras (cerca de 72 dos 102 municípios), a quase totalidade da Assembleia Legislativa, duas cadeiras no Senado, dois deputados federais — Isnaldo Bulhões e Rafael Brito —, além do apoio dos aliados Paulão, do PT, e Luciano Amaral, do PSD.
Apesar da força e da capilaridade, o grupo enfrenta tensões internas. Marcelo Victor e Paulo Dantas vetam uma possível aproximação de Renan Calheiros com JHC. Os sinais emitidos pelo senador não tiveram, até o momento, qualquer correspondência pública por parte do prefeito de Maceió. O tema vem sendo tratado com profissionalismo e, neste momento, não há espaço para emoções — as decisões serão pautadas por cálculos matemáticos e eleitorais.
O imponderável em política pode acontecer, mas entre esses profissionais a margem é estreita, não havendo possibilidade de surpresa para nenhum dos lados. O que vai acontecer — e, de fato, já está acontecendo — são muitas conversas nos bastidores. A fissura no bloco governista é tida como improvável.
Do outro lado está Arthur Lira, que vem ampliando seu poder por meio de emendas parlamentares — leia-se emendas secretas, pix etc. —, controle parcial da bancada federal (com nomes como Marx Beltrão, Alfredo Gaspar e Fábio Costa), além de alianças com prefeitos do interior.
Lira pretende disputar o Senado e lançar um candidato competitivo ao governo. Seu maior desafio é conquistar o eleitorado lulista. É visto pela opinião pública como político autoritário, tendo se notabilizado pelo uso da pressão política.
A terceira força é representada por João Henrique Caldas (JHC), prefeito de Maceió, que comanda uma prefeitura com o caixa abastecido com R$ 3 bilhões, fruto de acordos com a Braskem e da concessão da água e esgoto. Conta com quase toda a Câmara de Vereadores, com exceção de Teca Nelma (PT) e Rui Palmeira (PSD), e aposta em comunicação moderna e presença nas redes sociais.
No entanto, carece de estrutura no interior e de base parlamentar. Seu atual partido, o PL, oferece fundo eleitoral e tempo de TV, mas sua permanência nele é incerta. Nos bastidores, JHC articula ida ao PSB e aproximação com o governo Lula, mas para isso, a indicação de sua tia, Marluce Caldas, para o STJ, é vista como o “valor do passe”.
O plano B de JHC, caso a tia não seja nomeada ministra do STJ, pode ser a renúncia à prefeitura para disputar o governo, numa aliança com Arthur Lira.
No centro dessa disputa está a força popular do presidente Lula, especialmente no interior do estado. O MDB mantém uma aliança histórica com o campo progressista, enquanto Arthur Lira tenta se desvincular da imagem de político que bloqueia pautas de interesse da população. JHC se movimenta entre os dois, buscando espaço, consciente do seu peso político.
A disputa pelo controle político de Alagoas está aberta. O MDB aposta na estrutura e tradição; Lira, no dinheiro e na articulação federal; JHC, na imagem jovem e moderna. O desfecho dependerá de alianças, superação de divisões internas e da capacidade de diálogo com o eleitorado sensível às pautas sociais e à figura de Lula.
*Historiador e jornalista








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