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Quando o patriotismo muda de mãos

por | 18 jul, 2025

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Foto: Ueslei Marcelino/Reuters

A extrema-direita brasileira se vestiu de verde-amarelo com orgulho — ou melhor, com oportunismo. Apropriou-se dos símbolos nacionais, da bandeira, do hino, da palavra “pátria”, e tentou colar neles um único nome: Bolsonaro. Mas bastou um gesto de humilhação vindo do exterior, uma chantagem explícita de Donald Trump, para que toda essa encenação desmoronasse. E, mais importante: para que o verdadeiro sentimento de nação emergisse com força.

A pesquisa Genial/Quaest divulgada nessa quarta-feira (16) é claríssima: 72% dos brasileiros condenam a decisão de Trump de impor tarifas ao Brasil, e 53% apoiam a resposta firme e soberana do presidente Lula ao retaliar com reciprocidade. É a sociedade brasileira dizendo que não aceita ser subjugada, muito menos usada como instrumento nos delírios de um ex-presidente inelegível que trama contra a democracia.

O mais grave é o conteúdo da carta de Trump, recebida por Lula e conhecida por 66% dos entrevistados. Ali, o ex-presidente norte-americano não apenas impõe uma tarifa de 50% sobre os produtos brasileiros — ele condiciona o fim da punição ao “cancelamento” do julgamento de Jair Bolsonaro no STF, onde o ex-capitão responde como principal articulador de uma tentativa de golpe de Estado. Isso não é diplomacia. É interferência direta nos assuntos internos do Brasil. É chantagem política. É colonialismo do século XXI.

Diante disso, a pergunta que não pode calar: onde está o patriotismo da direita brasileira? Onde estão os influenciadores patrioteiros, os senadores, deputados que vivem de gritar “Deus, pátria, família”? Silenciaram. Covardemente. Porque, para eles, o Brasil só interessa se ajoelhado aos pés de Trump e se governado por Bolsonaro.

O povo brasileiro, mesmo sem ocupar as ruas, reagiu nas redes sociais. A pesquisa mostra que a defesa da soberania nacional é um sentimento coletivo. Neste momento, o patriotismo trocou de mãos. Já não está nas bocas que mentem, mas nos gestos firmes de quem, com dignidade, defende o país.

Lula, ao reagir com coragem e sem submissão, fez o que se espera de um chefe de Estado: colocou o Brasil em primeiro lugar. E ao contrário da retórica do “complexo de vira-lata”, a resposta popular mostrou que o Brasil sabe o que quer: respeito, justiça e independência.

Bolsonaro, às vésperas de ser condenado, perdeu até o que dizia representar. O manto do patriotismo rasgou-se, e por baixo dele não havia amor ao Brasil — apenas servilismo e oportunismo de quem sonha com tutela estrangeira para escapar da Justiça.

Esse episódio foi didático. Mostrou que não é preciso gritar “mito” para amar o país. Que não se defende a pátria com camisa da Seleção, mas com firmeza diante dos poderosos, inclusive os de fora. E que o Brasil, finalmente, começa a se levantar não contra um governo ou outro — mas contra a ideia de que somos uma nação subalterna.

É isso que assusta a extrema-direita: a ideia de que o Brasil possa existir soberano, sem pedir licença nem desculpas.

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