A deputada federal Carla Zambelli (PL-SP), conhecida por seu ativismo extremista de ultradireita e por ataques sistemáticos ao Estado Democrático de Direito, foi presa nesta terça-feira (29) na Itália. A prisão foi confirmada pela Polícia Federal do Brasil e atende a um pedido de extradição expedido pelo Supremo Tribunal Federal (STF), após condenação definitiva por crimes graves contra a ordem institucional.
A extremista já havia sido condenada pelo STF a 10 anos de prisão por invasão de sistema público, falsidade ideológica e tentativa de incriminar falsamente o ministro Alexandre de Moraes, utilizando documentos fraudulentos e acesso indevido ao sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). A decisão, transitada em julgado, cassou seu mandato parlamentar e a tornou inelegível por oito anos.
Zambelli deixou o Brasil em maio, após sua condenação, atravessando a fronteira com a Argentina e embarcando em seguida para os Estados Unidos. De lá, seguiu para a Itália, onde tentou se proteger da prisão com base em sua cidadania italiana — artifício jurídico que, no entanto, não impediu sua captura internacional.
Nos últimos meses, a extremista passou a se autodenominar “exilada política” e fazia declarações desafiadoras à Justiça brasileira. “Estou pagando para ver”, declarou em uma entrevista à CNN Brasil, ao ser questionada sobre a possibilidade de ser presa em solo europeu. O blefe durou pouco.
A prisão foi possível graças à inclusão de seu nome na lista vermelha da Interpol e ao reconhecimento, por parte das autoridades italianas, da gravidade dos crimes pelos quais foi condenada no Brasil. Segundo o governo italiano, ela poderá ser extraditada para o Brasil nas próximas semanas, conforme prevê o acordo bilateral entre os dois países.
A atuação de Zambelli no Congresso Nacional ficou marcada por radicalismos, disseminação de notícias falsas, apoio a movimentos golpistas e defesa incondicional do ex-presidente Jair Bolsonaro, de quem era aliada de primeira hora. Ela esteve entre os principais nomes do grupo que incitou e protegeu os atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023.
A prisão da deputada representa um duro golpe contra os setores mais reacionários da política brasileira e reforça a necessidade de responsabilização dos agentes públicos que atentam contra as instituições democráticas.





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