A Prefeitura de São Paulo abriu uma análise sobre R$ 13,4 milhões em notas fiscais apresentadas pelo Instituto Conhecer Brasil (ICB) na prestação de contas de um contrato de R$ 108 milhões para instalação de pontos de wi-fi na cidade. O acordo foi firmado em 2024 pela gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB).
O ICB é presidido por Karina Ferreira da Gama, dona da Go Up Produções, empresa responsável pela produção do filme Dark Horse, financiado pelo empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. A produção aborda a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Segundo ofício da Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia, a maior parte dos valores sob questionamento, cerca de R$ 10,6 milhões, corresponde a notas fiscais que não detalham as áreas atendidas nem os serviços realizados. Os documentos foram emitidos pelas empresas Favela Conectada Serviço e Tecnologia, Complexsys Soluções Integradas, Make One Tecnologia Digital e Ultra IP.
As quatro empresas e o próprio ICB foram alvos de uma operação de busca e apreensão realizada pela Polícia Civil de São Paulo em junho. A investigação apura suspeitas de irregularidades na execução do contrato e a possibilidade de que recursos públicos tenham sido utilizados para financiar a produção do filme.
Além das notas sem detalhamento, a prefeitura apontou outros R$ 906 mil em documentos fiscais cancelados. Entre eles está uma nota de R$ 500 mil emitida pela Favela Conectada em 24 de junho de 2025 e cancelada em 4 de julho do mesmo ano. Na descrição do serviço, a empresa registrou apenas “prestação de serviços conforme contrato”.
O município também identificou R$ 1,3 milhão em despesas com problemas como ausência de comprovação bancária, notas sem validade fiscal, endereços incompatíveis, pagamentos antecipados e falta de relatórios técnicos sobre pesquisas e serviços de comunicação.
A Secretaria de Inovação e Tecnologia informou que a notificação ao ICB não representa, neste momento, uma cobrança definitiva ou pedido imediato de devolução dos recursos. A entidade terá 30 dias para apresentar documentos, justificar as despesas ou corrigir as pendências.
“Não houve pedido de devolução imediata de valores até o momento. Na notificação feita ao ICB, houve a sinalização formal de inconsistências identificadas durante a análise da prestação de contas e a glosa temporária até o prazo final para que a organização se justifique ou regularize a documentação pendente”, afirmou a secretaria.
Segundo a pasta, a fiscalização faz parte do acompanhamento periódico dos contratos e ocorre semestralmente. Uma eventual glosa definitiva dos valores só será definida após a análise das justificativas apresentadas pelo instituto.
Em nota, Karina Gama afirmou que as pendências serão esclarecidas e que os documentos apresentados comprovarão a regularidade da execução das parcerias.
“O ICB permanece colaborando integralmente com o ente público, prestando todos os esclarecimentos técnicos e documentais necessários para demonstrar a regular execução dos projetos e a correta aplicação dos recursos públicos”, declarou.





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