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Acidentes com motociclistas no Brasil forçam adiamento de cirurgias complexas no SUS

por | 11 ago, 2025

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© Tânia Rêgo/Agência Brasil

O aumento de emergências envolvendo motociclistas está provocando graves interferências na agenda de cirurgias eletivas de alta complexidade no Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into), unidade de referência do SUS. A situação foi detalhada pela Agência Brasil em reportagem publicada em 8 de agosto.

Em 2024, o Into teve que cancelar 1.450 cirurgias eletivas para atender urgências relacionadas a traumas ortopédicos de motociclistas, situação que ocorre em média quando um paciente transferido ocupa o centro cirúrgico, impedindo que cinco pacientes programados sejam atendidos conforme previsto.

Dados do Sistema de Informações Hospitalares do Ministério da Saúde revelam que, entre 2010 e 2023, 1,4 milhão de motociclistas foram internados por acidentes nas ruas — o equivalente a 57,2% das internações por lesões de trânsito Agência Brasil. Esses internamentos custaram mais de R$ 2 bilhões, cerca de 55,2% dos dispêndios hospitalares com vítimas de acidentes de trânsito.

Além disso, o inquérito Viva Inquérito 2024 relata que 20,8% dos acidentados atendidos nos serviços de urgência eram trabalhadores de aplicativos — percentual que chega a 31% em cidades como São Paulo e Belo Horizonte.

Segundo a diretora-geral do Into, Germana Lyra Bähr, de janeiro a junho de 2025 o instituto registrou, em média, cinco cirurgias de alta complexidade por semana decorrentes de acidentes de trânsito, muitas vezes envolvendo motociclistas. Ela enfatiza que pacientes trauma-ortopédicos demandam mais tempo e recursos — com permanência média de 25 dias de internação, uso de antibióticos caros e reabilitação que pode durar anos —, enquanto cirurgias eletivas normalmente requerem menos tempo de hospitalização.

Germana compara o impacto atribuído a essas emergências como se o instituto tivesse “parado mais de um mês inteiro” das cirurgias regulares do ano anterior.

Esse quadro evidencia um efeito cascata: a sobrecarga com acidentes de motos compromete não apenas o atendimento de urgência, mas também prolonga as filas para procedimentos fundamentais em ortopedia e traumatologia. As consequências se estendem à rotina hospitalar, aos profissionais da saúde e, sobretudo, aos pacientes que dependem de intervenções eletivas para manter qualidade de vida — muitos deles também idosos, enfrentando doenças crônicas.

Arte/Agência Brasil

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