A Associação Brasileira de Imprensa (ABI) divulgou nesta quarta-feira (27) nota de repúdio à postura do senador Carlos Viana (Podemos-MG), presidente da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A entidade acusa o parlamentar de tentar obstruir o trabalho de jornalistas, fotojornalistas e cinegrafistas durante a cobertura das atividades da comissão, instalada em 26 de agosto, na Câmara dos Deputados.
Segundo a ABI, a conduta de Viana representa um grave precedente de cerceamento à cobertura jornalística no Congresso Nacional, justamente em um espaço que deveria garantir transparência e pleno acesso à informação.
A nota ressalta ainda a contradição no fato de o senador ser jornalista de formação e, mesmo assim, buscar limitar a atuação da imprensa. Para a entidade, trata-se de um ato “grave e inaceitável”, que fere princípios do Estado Democrático de Direito e ameaça a circulação de informações de interesse público.
“Consideramos grave e inaceitável que um parlamentar – e, ainda mais grave, um jornalista de formação e investido no cargo de presidente da Comissão – busque restringir o livre exercício profissional e a circulação de informações”, afirma o documento.
A ABI declarou solidariedade aos profissionais de imprensa que atuam tanto na CPMI quanto em outras coberturas no Parlamento. A entidade também assegurou que seguirá “vigilante quanto às ameaças às liberdades de imprensa e de expressão – venham de onde vierem”.
A instalação da CPMI do INSS ocorre em meio a denúncias de fraudes bilionárias no pagamento de benefícios previdenciários. Além de enfrentar críticas de parlamentares da oposição, a comissão agora também se vê sob o escrutínio de organizações da sociedade civil preocupadas com a transparência de seus trabalhos.






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