Por Geraldo de Majella*
Maceió se tornou um case negativo nacional quando se trata de gestão pública. Um case negativo é um estudo ou exemplo que evidencia falhas, problemas ou má gestão em políticas, projetos ou execução de obras públicas, servindo como alerta para a sociedade e gestores sobre os riscos e consequências da má administração.
As promessas de melhorias e investimentos em infraestrutura urbana, educação e lazer se transformaram, em grande parte, em obras paralisadas, anunciadas, mas não concluídas, revelando problemas graves na administração municipal.
Obras educacionais, creches e transporte escolar
Desde o início da gestão do prefeito João Henrique Caldas (JHC), inúmeros anúncios foram feitos sobre a construção e reforma de creches Gigantinhos, escolas e praças, muitos com grande repercussão na mídia. No entanto, a maioria dessas obras permanece paralisada. Dos 10 mil novos vagas prometidas, menos de 4 mil foram efetivamente entregues.
Ao tomar posse, JHC encontrou recursos destinados à reforma de escolas iniciadas na administração anterior, do prefeito Rui Palmeira, e, mesmo após cinco anos, nenhuma dessas unidades teve suas reformas concluídas. O caso evidencia a falta de planejamento, execução e fiscalização adequados, fatores que caracterizam um verdadeiro case negativo em gestão pública.
Outro ponto crítico é o transporte escolar, alvo de ação civil pública movida pelo Ministério Público de Alagoas. Cerca de 50 mil crianças ficaram sem transporte escolar, mostrando que a má gestão não se restringe às obras, mas atinge também serviços essenciais para a população.
Incapacidade administrativa
Um dos argumentos clássicos de gestores que não cumprem metas é a falta de recursos financeiros. Este não é o caso de Maceió: atualmente, o município dispõe de R$ 5 bilhões em caixa, mas as obras são iniciadas sem compromisso real de execução. Secretários e gestores municipais demonstram incapacidade administrativa, evidenciando que o problema não é financeiro, mas estrutural e político.
Projetos alterados por interesses políticos
O projeto Renasce Salgadinho, anunciado como a obra que mudaria a região do Vale do Reginaldo, sofre constantes alterações de acordo com decisões e interesses políticos, muitas vezes sobrepondo critérios técnicos, segundo relatos de uma fonte ao 082 Notícias. Essa prática compromete a eficiência, aumenta custos e atrasa a entrega da obra à população.
Praças e Areninhas
Dezenas de praças e Areninhas estão envelopadas com tapumes e logomarcas da Prefeitura, mas a maioria ainda não foi iniciada ou encontra-se paralisada. Entre as poucas inauguradas, muitas obedeceram ao calendário eleitoral, servindo mais como estratégia de marketing do que como resultado de planejamento e execução eficiente.
Custo Maceió
O impacto da má gestão em Maceió vai além das obras paralisadas. O Custo Maceió reflete o alto nível de desperdício de recursos públicos e o transtorno causado à população, afetando educação, lazer, mobilidade e serviços essenciais. Sob qualquer critério de análise, a gestão JHC seria reprovada pelo desprezo pelos recursos públicos e pela vida da população, evidenciando a necessidade urgente de planejamento, fiscalização e execução responsável.
Um case negativo de gestão pública, como se observa em Maceió, evidencia as consequências de falhas na administração municipal: obras inacabadas, desperdício de recursos públicos, serviços essenciais prejudicados e população sem acesso a equipamentos e políticas públicas prometidas.
É urgente que a Prefeitura de Maceió implemente planejamento estratégico, fiscalização rigorosa e execução responsável, garantindo que os investimentos públicos se transformem em benefícios concretos para a população, e não em meras propagandas eleitorais.
*Historiador e jornalista






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