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Almirante Othon: herói da ciência brasileira e vítima do lawfare

por | 29 set, 2025

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Foto: Divulgação

O Vice-Almirante Othon Luiz Pinheiro da Silva é reconhecido como um dos maiores engenheiros e cientistas brasileiros do século XX. Diretor de Pesquisas de Reatores do IPEN entre 1982 e 1984 e fundador do Programa de Desenvolvimento do Ciclo do Combustível Nuclear e da Propulsão Nuclear para Submarinos, que durou de 1979 a 1994, Othon liderou o avanço que permitiu ao Brasil dominar a tecnologia de ultracentrifugação de urânio, marco da soberania e da independência tecnológica nacional.

 

Com visão estratégica e profundo conhecimento técnico, conduziu o país ao domínio de etapas essenciais do ciclo nuclear: da conversão do yellowcake em hexafluoreto de urânio até a produção de 24 toneladas da substância, garantindo que o enriquecimento isotópico fosse realizado com tecnologia genuinamente brasileira. À frente da Coordenadoria de Projetos Especiais da Marinha (COPESP), hoje CTMSP, idealizou a propulsão nuclear para submarinos — símbolo da defesa estratégica do Atlântico Sul e da autonomia tecnológica do país.

 

“Othon começou o projeto de separação isotópica do Urânio com muita criatividade, liderança e engenharia reversa”, lembrou o Dr. Spero Penha Morato, ex-superintendente do IPEN, em homenagem ao cientista.

 

Apesar do prestígio científico, Othon foi alvo de uma ofensiva judicial iniciada em 2015 pelo então juiz federal Sergio Moro, que abriu investigações no âmbito da Lava Jato, e intensificada pelo juiz Marcelo Bretas, no Rio de Janeiro.

 

A ação paralisou o Programa Nuclear Brasileiro, um dos projetos mais estratégicos da defesa nacional, e culminou em sua condução à prisão sem resistência, de forma humilhante, apesar de seus 75 anos e de uma carreira militar exemplar.

 

A detenção ocorreu em presídio civil, desrespeitando o Código Penal Militar, que estabelece que oficiais-generais da Marinha devem ser presos apenas por autoridade judicial e recolhidos a unidades militares, com comunicação prévia aos comandantes competentes.

 

Delações premiadas sem provas concretas foram transformadas em condenações pesadas — Othon chegou a ser sentenciado a 47 anos de prisão. Especialistas qualificam o episódio como lawfare, no qual instrumentos jurídicos foram usados para frear a autonomia tecnológica brasileira e interferir na soberania nacional. Em ação recente de improbidade, a Justiça Federal no Rio de Janeiro absolveu o almirante, destacando a ausência de provas.

Interesses dos EUA

A perseguição não atingiu apenas Othon: representou um ataque direto ao programa nuclear e ao projeto do submarino nuclear brasileiro. Décadas de trabalho e conquistas estratégicas foram interrompidas, comprometendo a defesa nacional e colocando o país em situação de vulnerabilidade, especialmente diante de interesses estratégicos de potências estrangeiras, como os Estados Unidos, que buscavam impedir o avanço da autonomia tecnológica brasileira.

 

Mesmo diante de adversidades, Othon continua sendo reverenciado pela comunidade científica. Em 2024, recebeu a Medalha Henrique Morize, da Academia Brasileira de Ciências, e o título de Doutor Honoris Causa pela UFBA, reconhecimentos que reafirmam seu papel central no fortalecimento da soberania tecnológica do Brasil.

 

O próprio sistema de justiça revelou, anos depois, o caráter daqueles que lideraram a perseguição: Marcelo Bretas foi aposentado compulsoriamente pelo CNJ em 2025, acusado de negociar delações, vazar informações sigilosas e agir politicamente em favor de interesses eleitorais; Rodrigo Janot, então Procurador-Geral da República, é apontado como articulador de uma agenda que atendeu a pressões externas contra a soberania nacional; e Sergio Moro, que deu início às investigações, usou seu prestígio midiático e judicial para influenciar o andamento do processo como agente infiltrado dos EUA, estando atualmente respondendo a processo por corrupção junto ao STF.

 

Othon foi perseguido porque ousou construir a independência tecnológica do Brasil. A história mostra quem foi o verdadeiro patriota — e quem se colocou como traidor da pátria.

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