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Plano Clima expõe papel do agronegócio nas emissões e provoca reação do setor

por | 13 out, 2025

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Reprodução

O novo Plano Clima Mitigação, elaborado pelo governo federal para cumprir metas internacionais de redução de gases de efeito estufa, provocou forte reação do agronegócio ao destacar a contribuição do setor para o aquecimento global. O documento mostra que as emissões ligadas à agropecuária e ao desmatamento em propriedades privadas respondem por boa parte do total nacional, o que expôs o campo como um dos principais vetores da crise climática no Brasil.

Durante audiência no Senado, representantes da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil demonstraram incômodo ao ver o setor no topo do gráfico das emissões. Argumentaram que o plano “prejudica a imagem” do agronegócio e pode afetar exportações, além de questionarem a forma como as responsabilidades foram distribuídas entre os setores econômicos.

Segundo o governo, o Plano Clima é parte da política nacional que define metas específicas de mitigação até 2035. O Brasil se comprometeu a reduzir entre 59% e 67% das emissões em relação a 2005 e alcançar a neutralidade climática até 2050. O plano divide as ações em sete áreas estratégicas, entre elas agricultura, energia, indústria e transportes.

No caso da agropecuária, o documento associa diretamente as emissões ao desmatamento e ao manejo de pastagens, destacando que mais da metade da perda de vegetação nativa ocorre em propriedades privadas. Também aponta fontes diretas, como o metano emitido pelo gado e o uso de fertilizantes nitrogenados.

As entidades do setor rural reagiram pedindo que o governo reconheça práticas sustentáveis já adotadas, como a recuperação de áreas degradadas e sistemas integrados de produção. Também defendem que as metas considerem a capacidade de o setor remover carbono por meio da restauração florestal e da recomposição de vegetação nativa.

Mesmo com críticas, o plano prevê concessões ao agronegócio: não há meta de redução absoluta de emissões até 2035, permitindo expansão da produção sem obrigar queda proporcional dos gases lançados. A prioridade recai sobre a redução do desmatamento e a recuperação de áreas degradadas, medidas vistas como as mais eficazes no curto prazo.

A proposta ganha relevância política às vésperas da COP30, que será realizada em Belém, e deve ser aprovada ainda neste ano. O governo aposta no plano como vitrine do compromisso climático brasileiro e instrumento para atrair investimentos verdes.

O debate expõe um impasse entre a necessidade de manter o peso econômico do agronegócio e a urgência de reduzir as emissões. O retrato traçado pelo Plano Clima mostra que o país só alcançará suas metas ambientais se o setor rural aceitar participar de forma mais ativa na transição para uma economia de baixo carbono.

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