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João Saldanha: o comunista que montou a seleção tricampeã de 1970

por | 21 jun, 2026

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Figura marcante da crônica esportiva brasileira e militante histórico do Partido Comunista Brasileiro (PCB), João Saldanha protagonizou uma das trajetórias mais singulares do futebol nacional ao assumir o comando da Seleção Brasileira em plena ditadura militar. Entre 1969 e 1970, ele foi responsável por montar a base da equipe que conquistaria o tricampeonato mundial no México.

A história de Saldanha é tema de entrevista concedida pelo biógrafo André Iki Siqueira ao programa BdF Entrevista. Segundo o pesquisador, o gaúcho de Alegrete nunca separou completamente a paixão pelo futebol do engajamento político.

“Ele levava a atividade política muito a sério. O futebol era a paixão dele”, afirmou Siqueira.

Reprodução

Ainda jovem, após se mudar para o Rio de Janeiro, Saldanha começou a jogar futebol nas praias de Copacabana e se aproximou do Botafogo, clube pelo qual desenvolveria uma forte identificação. Paralelamente, atuava na militância política. Em 1947, durante um confronto envolvendo estudantes e policiais na sede da União Nacional dos Estudantes (UNE), foi baleado no pulmão, episódio que deixou sequelas para o resto da vida.

A carreira no futebol ganhou destaque em 1957, quando comandou o Botafogo na conquista do Campeonato Carioca. À frente de uma equipe que contava com craques como Garrincha, Nilton Santos e Quarentinha, tornou-se um dos técnicos mais respeitados do país.

Já consagrado como comentarista esportivo, Saldanha também utilizava sua projeção pública para apoiar causas políticas e manter contatos com militantes brasileiros exilados durante a ditadura. Em viagens internacionais, participava de articulações ligadas à esquerda e ajudava companheiros perseguidos pelo regime.

A chegada à Seleção Brasileira ocorreu em um momento de crise. Após o fracasso na Copa do Mundo de 1966, a equipe enfrentava forte desconfiança da torcida e dificuldades para definir uma base competitiva. Crítico frequente da então Confederação Brasileira de Desportos (CBD), Saldanha acabou surpreendendo ao aceitar o convite para assumir o comando técnico.

Reprodução

Segundo André Iki Siqueira, a aposta contrariou expectativas de dirigentes que acreditavam que o treinador fracassaria. O resultado, porém, foi diferente. Saldanha reorganizou a seleção, definiu rapidamente os titulares e montou a estrutura do time que conquistaria a Copa do Mundo de 1970, embora tenha deixado o cargo meses antes do torneio.

“Ele revolucionou a seleção. Em uma coletiva, apresentou de uma vez os titulares e reservas. Isso seria impensável nos dias de hoje”, destacou o biógrafo.

Mesmo fora da campanha vitoriosa no México, João Saldanha entrou para a história como o arquiteto da equipe que levou o Brasil ao tricampeonato mundial, consolidando um legado que une futebol, jornalismo e militância política.

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