Por DANIEL COSTA*, no A Terra é Redonda
Considerações sobre o livro recém-lançado de Carlos Marchi
1.
Nos últimos anos, a produção bibliográfica referente a organizações e partidos de esquerda tem ganhado espaço, seja por meio de pesquisas acadêmicas que resgatam trajetórias antes negligenciadas, seja através de biografias de lideranças políticas, memórias de militantes, análises sobre estratégias e táticas, ou balanços críticos da produção intelectual e cultural desses grupos.
Acreditamos que tal movimento surge como resultado de dois processos: a ampliação e a diversificação dos cursos de pós-graduação no país, o que possibilita a diversidade de pesquisa, somados a um interesse mais amplo pela compreensão das esquerdas como atores políticos e sociais na contemporaneidade. Tal interesse se manifesta não apenas na investigação da luta por transformações sociais, mas também na formulação de interpretações sobre o desenvolvimento nacional, na atuação no movimento sindical e estudantil, na resistência a regimes autoritários e na construção de alternativas políticas em contextos democráticos ou de ataques a eles.
Em 2022, ao se comemorar a efeméride do centenário de fundação do PCB, vieram à luz algumas publicações que buscavam fazer um balanço da trajetória da agremiação política mais antiga do país, que sobreviveu à clandestinidade, à cassação de seu registro e às sucessivas ditaduras que marcaram a história republicana brasileira. Entre os trabalhos acadêmicos, tivemos também a rememoração dessa história por parte daqueles que reivindicam o espólio do velho Partidão.
São eles: o PC do B, partido fundado em 1962 a partir de uma ruptura capitaneada por grupos que discordavam dos rumos tomados com a Declaração Política de março de 1958 e dos reflexos do processo de desestalinização na União Soviética; o PCB reconstituído, sigla reorganizada ao longo da década de 1990 por setores que não aceitaram a mudança ocorrida em 1992, quando a maioria do partido alterou seu programa e estatuto, deixando de lado os símbolos da foice e do martelo e o léxico revolucionário; e o Cidadania, sucedâneo do PPS (Partido Popular Socialista), que por sua vez se reivindica como o continuador do partido fundado por Astrojildo Pereira em 1922.
Não nos cabe discutir aqui quem seria o legítimo herdeiro desse espólio, nem se apenas um deles poderia reivindicar tal herança. Essa tarefa deixamos para aqueles que se detêm exclusivamente ao estudo do tema.
2.
A historiografia do PCB, construída ao longo das últimas décadas, revela um campo de estudos marcado por tensões interpretativas, disputas de memória e significativas lacunas. Desde os primeiros trabalhos de caráter militante, como os de Astrojildo Pereira e de Nelson Werneck Sodré, até as análises acadêmicas mais recentes, passou‑se de uma produção voltada para a legitimação da trajetória partidária a um esforço crítico de compreensão de suas ambiguidades.
Entre essas ambiguidades, destacam‑se a oscilação entre autonomia e subordinação à Internacional Comunista, o dilema entre reforma e revolução, a relação contraditória com o nacional-desenvolvimentismo e com os movimentos sindicais, e o impacto do stalinismo na cultura política interna. Autores como Antonio Carlos Mazzeo, Edgar Carone, Leandro Konder, Marcos Del Roio, João Quartim de Moraes e Daniel Aarão Reis dedicaram‑se a examinar diferentes momentos do partido, desde sua fundação em 1922 até a “era áurea” compreendida entre 1945 e 1964, passando pela insurreição de 1935, pela cassação de seu registro em 1947 e pela “Declaração de Março de 1958”, que selou a opção por um programa nacional‑democrático.
Durante muito tempo faltou uma biografia política aprofundada de Luiz Carlos Prestes, lacuna preenchida tardiamente por obras como as de Daniel Aarão Reis Filho e Anita Leocádia Prestes. Embora existam estudos relevantes sobre a Aliança Libertadora Nacional e o levante de 1935, como os de Marly Vianna e Anita Prestes, o tema ainda demanda novas abordagens que superem a narrativa oficial e a memória militante.
A atenção dedicada às relações entre o PCB e a legislação trabalhista varguista ainda é relativamente escassa. Além disso, persiste a dificuldade de analisar a relação entre a militância partidária e a produção intelectual e artística fora do círculo restrito dos quadros orgânicos. A historiografia do PCB também tem sido desafiada a superar tanto o viés personalista, que reduz a história do partido à atuação de suas lideranças, quanto a abordagem institucional fechada, que negligencia as influências difusas do marxismo em setores não diretamente ligados ao partido.
Mais recentemente, a abertura de arquivos, a publicação de memórias e a distância histórica em relação ao objeto têm favorecido balanços mais ponderados, ainda que permaneçam em aberto questões fundamentais sobre o legado do PCB para a esquerda brasileira contemporânea.
No esforço de responder a algumas dessas lacunas, a Fundação Astrojildo Pereira iniciou, ainda em 2022, a publicação da trilogia Longa jornada até a democracia: os 100 anos do partidão (1922-2022).
3.
O primeiro volume, de autoria do jornalista Carlos Marchi, cobriu a trajetória do Partido Comunista Brasileiro desde o período anterior à sua fundação até 1968. A narrativa começa com a reconstituição do ambiente político dos círculos operários do início do século XX, em que o discurso e a prática se alimentavam de uma combinação entre anarquismo e um marxismo ainda incipiente. O livro termina em 1968, quando a ditadura civil‑militar decretava o Ato Institucional nº. 5, a esquerda mundial repercutia os eventos do maio francês e o PCB se esforçava para consolidar a linha definida em seu VI Congresso, realizado na clandestinidade.
Carlos Marchi, que já havia biografado o senador Teotônio Vilela e o jornalista Carlos Castelo Branco, adota um ponto de vista interno ao partido. Como observa o sociólogo Caetano Araújo, o autor consegue apontar acertos e fracassos sem cair em uma narrativa hagiográfica. Um dos pontos altos da obra é a análise da atuação de Luiz Carlos Prestes, desde sua entrada no partido no início dos anos 1930, passando pela intentona de 1935, qualificada por Carlos Marchi como “o mais trágico de todos os erros e de todas as quedas do Partido”, até sua guinada à esquerda, que resultaria, no começo dos anos 1980, na publicação da estrondosa “Carta aos Comunistas” e em seu rompimento com a legenda.
O autor interpreta as diversas mudanças táticas e programáticas do PCB como parte de um processo de busca pela democracia, alinhando-se à diretriz de Salomão Malina, estampada como epígrafe da obra: afirmar a história do partido em sua inteireza, com seus sucessos e seus erros.
Enquanto o primeiro volume cobriu as origens e os primeiros anos do partido, o segundo, escrito pelo jornalista Eumano Silva e lançado em 2024, dedicou-se ao intervalo entre o IV Congresso, ocorrido em 1967, e a transformação do PCB em PPS, em 1992. A obra procura preencher outra falta apontada pelos estudiosos, a saber, a carência de análises que contemplem a pluralidade de vozes internas, evitando a visão maniqueísta que opõe “vencedores” e “vencidos”.
Para tanto, concede espaço a entrevistados de diversas correntes. Ao longo de suas 844 páginas, Eumano Silva reconstrói os difíceis caminhos do Partidão no enfrentamento à ditadura civil‑militar instaurada em 1964, a luta pela anistia e pela redemocratização, a relação da legenda com o novo sindicalismo que emergiu no ABC paulista no final dos anos 1970, bem como o surgimento do Partido dos Trabalhadores, agremiação que, malgrado as afinidades ideológicas, figuraria entre os fatores do declínio do PCB.
O autor lança mão de uma vasta documentação, que inclui resoluções do partido, manifestos e materiais inéditos produzidos pelos órgãos repressivos, além de numerosas entrevistas. Como destaca o historiador José Antônio Segatto no prefácio da obra, Eumano Silva oferece uma contribuição original e significativa para a compreensão de uma das mais importantes instituições da vida civil e política brasileira em um período particularmente obscuro da história republicana.
4.
O terceiro e último volume da trilogia é também o mais enxuto. Enquanto o segundo ultrapassa as oitocentas páginas, este tem 274 páginas e trata do período em que Roberto Freire e o grupo majoritário do então PCB realizaram a operação que transformou o partido em PPS, até a nova alteração, quando a legenda passou a se chamar Cidadania.
Composta por nove capítulos, a narrativa de Carlos Marchi tem início ainda na metade da década de 1980, quando, em meio à nascente Nova República, o partido travava a batalha para retornar à legalidade. O autor traz à tona a postura de cautela apresentada por Tancredo Neves, que relutava em dar andamento ao processo, e a postura oposta de José Sarney, que, após um encontro com Freire e com os deputados Alberto Goldman e Marcelo Cerqueira, determinou a publicação no Diário Oficial da documentação exigida para o retorno do partido fundado em 1922 à legalidade.
O livro, que pode ser lido como uma extensa reportagem sobre o período, traz depoimentos de figuras fundamentais nessa transição. Entre elas, destacam-se o cientista político e historiador Alberto Aggio, os ex-senadores Aloysio Nunes Ferreira e Cristovam Buarque, Ciro Gomes, Roberto Freire e militantes históricos do então PCB que foram entusiastas da mudança de feição do velho partido comunista. Merecem destaque ainda os jornalistas Luiz Carlos Azedo e Davi Emerich, além de nomes como Gilvan Cavalcanti e Arlindo Fernandes.
É exatamente nesse ponto que podemos fazer uma ressalva ao livro escrito por Carlos Marchi. Ao narrar o processo que culminaria na mudança de nome para PPS, o autor poderia ter dado voz também àqueles que foram contrários à transformação, o que seria interessante para apresentar ao leitor visões distintas sobre o processo. Porém, cabe destacar que tal ausência não compromete a obra a ponto de transformá-la em mera hagiografia, vistas as observações críticas no decorrer do livro ao então todo-poderoso Roberto Freire.
Nos dois capítulos seguintes, o autor recua na trajetória do PCB, apontando os erros e acertos do partido no período da ditadura civil‑militar, bem como os antecedentes das eleições presidenciais de 1989, nas quais a legenda apresentaria ao eleitor a chapa formada por Roberto Freire e pelo médico sanitarista Sérgio Arouca.
Cabe destacar um trecho da entrevista concedida por Roberto Freire a Carlos Marchi sobre sua relação com o antigo secretário‑geral Luiz Carlos Prestes: “Eu dizia que ele era a grande liderança, uma figura do século XX. A relação pessoal era complicada, ele era uma figura difícil. E tinha uma relação com o partido que era meio imperial.” Adiante, Roberto Freire prossegue: “Prestes era dado a erros políticos muito concretos. Era muito dogmático, muito ortodoxo”. Como o leitor desta resenha poderá ver adiante, lembrou o velho Marx na célebre passagem do Dezoito brumário de Luís Bonaparte: mais uma vez a tragédia estava pronta a se repetir, agora como farsa de caráter grotesco. Por ora, sigamos com o comentário do livro escrito por Carlos Marchi.
5.
Outro ponto a se destacar no livro de Carlos Marchi, ainda referente ao período anterior ao que constitui o centro da obra, diz respeito à atuação parlamentar do partido mesmo na ilegalidade, quando seus quadros se abrigaram no MDB. A atuação de nomes como Marcelo Cerqueira, Alberto Goldman e Modesto da Silveira mostra como a legenda havia compreendido que, naquele período de exceção, a luta pela reconquista da democracia seria fundamental.
Porém, a adoção de tal linha política seria determinante para o futuro do partido, que já não era a única agremiação de esquerda no país. Além dos grupos clandestinos de oposição à ditadura civil‑militar, o PCB viu surgir no ABC paulista um partido construído em sua essência por trabalhadores, o Partido dos Trabalhadores, que com o tempo se tornaria um dos principais fatores de seu declínio. Simultaneamente, o trabalhismo era rearticulado por Leonel Brizola, ampliando ainda mais o leque de opções políticas à esquerda e reduzindo o espaço até então ocupado pelo PCB.
Nos capítulos seguintes, o jornalista aborda como o vento que varreu o socialismo do Leste Europeu e o fim da União Soviética levaram o então PCB a redefinir sua política, fato que culminaria na mudança do nome do partido para PPS (Partido Popular Socialista) e na cisão à esquerda, que geraria o PCB reconstituído. O autor também examina a tentativa de consolidação da legenda como uma alternativa de centro‑esquerda no decorrer dos anos 1990, processo que se estendeu até o pleito de 2002, com a segunda tentativa de Ciro Gomes de chegar ao Planalto.
Assim, ao percorrer as páginas do terceiro volume da trilogia, o leitor poderá observar como as transformações globais daquele período, marcadas pelo colapso do chamado socialismo real, impuseram aos comunistas brasileiros (no caso, aqueles que optaram por construir o PPS) um difícil movimento de revisão de seus pressupostos teóricos e estratégicos. A adesão à social‑democracia, inspirada especialmente na experiência do Partido Democrático da Esquerda italiano, representou para o grupo majoritário não apenas uma via de sobrevivência política e de adequação às novas condições históricas, mas também um afastamento definitivo do legado revolucionário que havia orientado o PCB desde sua fundação em 1922.
De acordo com Ciro Gomes em depoimento concedido ao autor para a obra, a eleição de 2002 marcaria o início de seu desgaste com Roberto Freire: “A segunda candidatura foi terrível, porque eu virei um candidato viável. O candidato do PSDB, José Serra, usando aqueles métodos dele, detonou a Roseana Sarney, que era a candidata mais forte do lado de Fernando Henrique (…) Aí o Roberto Freire detonou, sabotou, passou a trabalhar para o Serra já durante a campanha. Foi um desastre. Eu tinha a chance de ganhar e a coisa não andava”.
O depoimento de Ciro Gomes pode ser encarado como um ponto decisivo na trajetória do partido, pois mesmo tendo apoiado Lula no segundo turno, a proximidade cada vez mais estreita entre Roberto Freire e José Serra levaria a legenda, ainda que de início de forma paulatina, a abandonar o ideário de centro‑esquerda. O episódio revela as contradições internas de um partido que, ao buscar se consolidar no jogo institucional, viu-se progressivamente deslocado de suas bases programáticas originais, aproximando-se de alianças que antes lhe seriam impensáveis.
6.
No decorrer da narrativa construída por Carlos Marchi e baseada em diversos depoimentos, fica nítido que a relação pessoal entre Roberto Freire e Lula nunca foi das melhores, e isso talvez explique a dificuldade do partido em caminhar novamente para o campo da centro‑esquerda. Quanto mais Roberto Freire radicalizava seu discurso antilulista, mais o partido caminhava para a direita.
Outra hipótese para esse distanciamento pode ser vislumbrada por meio do depoimento do sociólogo Caetano Araujo, para quem o campo da social‑democracia no Brasil sempre esteve superpovoado, visto que desde o PT até partidos mais ao centro e à direita almejariam esse espaço. Isso dificultaria a criação de uma alternativa concreta que, segundo o mesmo, dar‑se‑ia apenas com “um processo de agregação partidária, agregação de movimentos, partidos, tendências, e tudo isso com muita discussão e muita transparência”.
Em outras palavras, o PPS dificilmente iria se firmar como uma efetiva opção de centro‑esquerda não apenas por suas opções táticas imediatas ou pelo perfil de sua liderança, mas também pela diversidade de grupos reivindicando esse espaço.
A busca em contar a longa jornada do velho Partidão e suas vicissitudes na empreitada pela democracia se encerra com a tentativa de nova transformação do partido após os ventos que embaralharam o xadrez da política brasileira, especialmente depois de junho de 2013. Buscando atrair setores da massa que tomou as ruas, a legenda fez uma nova inflexão, caminhando ainda mais para o centro e, além de retirar a palavra “partido” de sua denominação, substituiu o Popular Socialista pelo genérico “Cidadania”.
Nesse ínterim, Roberto Freire passaria a ocupar o Ministério da Cultura durante o governo de Michel Temer, onde seu maior feito foi ter protagonizado um embate com o escritor Raduan Nassar durante a entrega do Prêmio Camões. Porém, a centenária trajetória não deve ser vista apenas com melancolia, pois como assertivamente escreveu o jornalista Luiz Carlos Azedo na contracapa da publicação, a democracia brasileira não resultou de rupturas súbitas, mas de uma longa jornada marcada por escolhas difíceis, negociações políticas e aprendizado coletivo.
Ou como ainda afirmou o então presidente do partido, Comte Bittencourt, no prefácio da obra: “A democracia é uma construção permanente. E a longa jornada que a tornou possível continua aberta”.
7.
Dessa forma, podemos afirmar que a trilogia Longa jornada até a democracia: os 100 anos do partidão (1922-2022), ao cobrir desde o período anterior à fundação do PCB até as transformações que deram origem ao Cidadania, cumpre com êxito o propósito enunciado por Salomão Malina na epígrafe do primeiro volume: afirmar a história do partido em sua inteireza, com seus sucessos e seus erros.
Cada um dos autores, a seu modo, evita tanto a apologia quanto a lamúria diante dos equívocos, oferecendo ao leitor um painel lúcido das escolhas, dos impasses e das contradições que marcaram a trajetória da mais antiga agremiação política brasileira. Se o primeiro volume reconstitui as origens e os anos de formação, e o segundo apresenta a resistência no período mais sombrio da ditadura civil‑militar, o terceiro não se furta a narrar o crepúsculo da legenda, com suas cisões, seus realinhamentos táticos e sua progressiva migração para o oposto do espectro político em que nascera.
Mais do que uma obra de memória ou de registro factual, a trilogia se impõe como um instrumento de reflexão sobre os dilemas enfrentados pela esquerda brasileira ao longo de um século, em especial a tensão entre a radicalidade programática e as exigências da sobrevivência institucional. Ao final da leitura, fica a convicção de que compreender a longa e sinuosa jornada do Partidão é também compreender os limites e as possibilidades da própria democracia brasileira.
Post scriptum: Como escrito acima, Karl Marx, parafraseando Hegel, vaticinou que a tragédia se repetiria como farsa. Assim, ao terminar de contar essa longa jornada, o Cidadania vê-se em uma crise que poderá selar definitivamente seu destino. No início de 2025, após uma longa batalha judicial, Roberto Freire conseguiu destituir Comte Bittencourt da presidência do partido e, em um congresso questionado por significativa parcela da legenda, passou o bastão da agremiação para o deputado paulista Alex Manente.
Dessa forma, o partido que caminhava para uma federação com o PSB, o que poderia significar um retorno a uma trajetória de centro‑esquerda, não apenas renovou a federação com o combalido PSDB de Aécio Neves, como também chegou a aventar a possibilidade de federação ou fusão com o Republicanos, partido do governador Tarcísio de Freitas, o “Bolsonaro light” da Faria Lima. Ainda entre as mudanças, o partido passou a adotar a grafia CidadanIA, com a terminação “IA” em alusão à inteligência artificial.
Por sua vez, o PCB reconstituído enfrentou nos últimos anos uma ruptura pela esquerda, capitaneada pelo antigo secretário‑geral Ivan Pinheiro e pelo youtuber Jones Manoel, que propunham um partido verdadeiramente revolucionário, exaltando o léxico do marxismo dogmático. Dessa forma, podemos afirmar que o centenário da mais antiga legenda partidária do país transcorreu entre a nostalgia e a negação do passado, sem que nenhum dos herdeiros tenha conseguido, até o momento, capitalizar politicamente o peso simbólico de sua própria história.
*Daniel Costa é mestrando em história na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).






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