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Quinteto Violado: a música como expressão da cultura nordestina

por | 24 out, 2025

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Por Geraldo de Majella

A trajetória que culminou no Quinteto Violado começou em janeiro de 1970, quando Toinho Alves (voz e baixo), Fernando Filizola (viola), Marcelo Melo (voz, viola e violão), Luciano Pimentel (percussão) e Alexandre dos Anjos, o Sando (flauta), subiram juntos a um palco pela primeira vez, para se apresentar na Faculdade de Filosofia da Universidade Federal de Pernambuco.

O batismo como Quinteto Violado só ocorreu em outubro de 1971, durante uma apresentação no Teatro Nova Jerusalém, em Fazenda Nova (PE), quando os músicos foram descritos como “violados” por Robinson Pacheco, filho do idealizador do teatro.

O grupo reunia músicos interessados em unir a tradição da música nordestina a arranjos contemporâneos e à pesquisa folclórica. A formação passou a incluir Marcelo Melo (violão e voz), Toinho Alves (contrabaixo e voz), Dudu Alves (teclado e arranjos), Ciano Alves (flauta e pífano) e Sando Brandão (percussão).

Segundo Dudu Alves, filho de Toinho, o Quinteto nasceu do desejo do pai de criar um conjunto que tocasse “músicas do Nordeste numa junção com a música instrumental”. Ele lembra:

“Meu pai era químico, então gostava de fazer essas misturas. Ele já tinha um grupo que se apresentava na TV Universitária. Marcelo Melo, que chegou da Europa, onde fazia um curso de agronomia, se juntou ao grupo. Existe a versão bonita de que o Quinteto nasceu nas pedras de Nova Jerusalém, mas não foi nada disso.”

O grupo estreou oficialmente nos palcos em 1971 e, em 1972, lançou o primeiro LP, Quinteto Violado, pela Polygram, com produção de Hermínio Bello de Carvalho. O disco trazia interpretações de temas populares, entre elas “Asa Branca”, de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira.
Sobre essa gravação, Dudu Alves relatou o encontro indireto do grupo com Gonzaga:

“Foi a irmã, Chiquinha Gonzaga, que colocou a faixa Asa Branca do nosso disco na vitrola para ele ouvir. Quando acabou a música, ele estava aos prantos e disse: ‘Preciso conhecer esses meninos para agradecer, porque, quando gravei essa música pela primeira vez, a gravadora disse que ela não ia acontecer. E a música aconteceu comigo tocando e agora com o Quinteto, que fez um arranjo belíssimo, e nunca essa música vai morrer’.”

A versão do Quinteto para Asa Branca se tornou uma das mais reconhecidas da discografia do grupo, considerada um marco de inovação na releitura do repertório de Luiz Gonzaga.

Ao longo de sua trajetória, o Quinteto Violado construiu uma discografia com mais de trinta LPs, explorando ritmos como frevo, baião, xote, maracatu e aboio, sempre com a proposta de divulgar a música nordestina por meio de arranjos inovadores, sem descaracterizar suas origens.
Nas décadas de 1970 e 1980, o grupo realizou turnês internacionais, apresentando-se na Europa, África, América do Sul e Ásia, levando a música popular nordestina a festivais e eventos culturais.

Em 1997, foi criada a Fundação Quinteto Violado, instituição sem fins lucrativos voltada à pesquisa, educação e difusão da cultura popular, com projetos socioculturais em Pernambuco.

Em 2022, o grupo recebeu a Medalha Joaquim Nabuco, classe Ouro, concedida pela Assembleia Legislativa de Pernambuco, em reconhecimento aos serviços prestados à cultura do estado.

Formado majoritariamente por músicos pernambucanos — a exceção é Marcelo Melo, nascido na Paraíba —, o Quinteto Violado celebra atualmente 54 anos de carreira com a turnê O Sertão. O espetáculo passa por cidades como Maceió (AL) e, após a apresentação na capital alagoana, segue para Recife (PE), cidade natal do grupo, nos dias 30 e 31 de outubro, no Teatro Santa Isabel. Até agora, a turnê já percorreu cidades como Vitória (ES), Mariana e Itabira (MG), São Luís (MA), Campina Grande (PB), Brasília (DF) e São Paulo (SP), encantando plateias com sua mistura de ritmos, narrativa e poesia nordestina.

A turnê consolida o Quinteto Violado como símbolo de modernidade e permanência no universo musical nordestino, reafirmando sua posição como uma das formações mais longevas e respeitadas da música brasileira.

(*) Historiador e jornalista.

Divulgação.

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