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Rio em guerra: o espetáculo da morte que Cláudio Castro promove para tentar chegar ao Senado

por | 30 out, 2025

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© Tomaz Silva/Agência Brasil

Por Geraldo de Majella*

Operações com dezenas de mortos e prisões em massa escancaram o fracasso de uma política de segurança que confunde Estado com extermínio. A retórica do “governador que combate o crime” revela mais cálculo eleitoral do que compromisso com a segurança pública e a vida.

A megaoperação realizada no dia 28, nos Complexos do Alemão e da Penha, marcada por mais de 120 mortos e prisões em massa, reacendeu o debate sobre a responsabilidade política do governador Cláudio Castro (PL) diante da escalada da letalidade policial no Rio de Janeiro. O episódio soma-se a uma sequência de ações de guerra travadas nas favelas, que deixaram um rastro de dor, casas destruídas e famílias traumatizadas — mas que são apresentadas como vitórias por um governo em queda de popularidade.

Castro sustenta que o Estado “não pode recuar diante do crime organizado”. Críticos, contudo, afirmam que sua política de segurança pública transformou as forças policiais em forças de ocupação, legitimando execuções e promovendo a espetacularização da morte. As cenas de blindados, helicópteros atirando e corpos estendidos nas vielas tornaram-se a imagem de uma gestão que aposta no medo e na força como marketing eleitoral.

Para os extremistas, a violência estatal é o caminho para se eleger — e Castro tem explorado essa lógica desde assumiu o governo do estado do Rio de Janeiro.

Em entrevistas à imprensa nacional e internacional, o governador admitiu que a operação vinha sendo planejada há cerca de um ano — o que desmonta o argumento de ação emergencial e reforça o caráter político do espetáculo. A ofensiva, segundo analistas, serve para mobilizar o eleitorado bolsonarista e a base da direita e extrema-direita, num momento em que Castro enfrenta denúncias de corrupção, desgaste administrativo e queda de aprovação popular.

Enquanto pede apoio federal e acusa o governo Lula de “abandonar o Rio”, o governador tenta se afirmar como o chefe de Estado que combate o crime organizado. Mas a estratégia tem alto custo: amplia a desconfiança de setores moderados, desperta repúdio de organismos de direitos humanos e reacende alertas sobre a infiltração de milícias e facções criminosas nas próprias estruturas do Estado e das polícias fluminenses.

O resultado é um governo que governa sobre escombros e cadáveres, em meio a investigações, suspeitas de irregularidades e denúncias de que o poder público se tornou cúmplice de uma política de extermínio, tendo as favelas como alvo preferencial. No palco de guerra em que se transformou o Rio de Janeiro, Cláudio Castro aparece menos como o comandante que restabelece a ordem e mais como o “Netanyahu carioca” — um governante que tenta se manter no poder com o sangue dos pobres e a retórica da segurança.

*Historiador e jornalista

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