A Polícia Federal e o Ministério Público Federal deflagraram, nesta quinta-feira (25), a segunda fase da Operação Disclosure, que apura um esquema de fraudes contábeis estimado em cerca de R$ 54 bilhões envolvendo a antiga gestão da Americanas. A ação busca aprofundar as investigações sobre irregularidades que teriam sido praticadas ao longo de vários anos e que impactaram o mercado financeiro brasileiro.
Foram cumpridos nove mandados de busca e apreensão nas cidades do Rio de Janeiro e de São Paulo. A Justiça Federal também determinou o bloqueio de bens e valores dos investigados até o limite do prejuízo estimado pelas apurações.
Segundo a Polícia Federal, há indícios de que os suspeitos tinham conhecimento de manobras contábeis relacionadas a operações de risco sacado e a contratos de verba de propaganda cooperada registrados sem respaldo econômico. As investigações apontam ainda possíveis crimes de manipulação de mercado e associação criminosa.
A nova etapa da operação é um desdobramento das ações realizadas em 2024, quando ex-diretores da companhia foram alvo de prisões preventivas, buscas e bloqueios patrimoniais. Na ocasião, as apurações indicaram a utilização de mecanismos contábeis que mascaravam a real situação financeira da empresa.
O caso ganhou repercussão nacional ao expor fragilidades nos sistemas de controle e fiscalização das grandes corporações. Especialistas apontam que a complexidade das estruturas empresariais, somada às limitações dos órgãos reguladores e aos desafios da autorregulação do mercado, dificulta a identificação antecipada de fraudes dessa dimensão.
Com a nova fase da Operação Disclosure, a PF busca reunir mais provas e esclarecer o grau de participação dos investigados em um dos maiores escândalos corporativos já registrados no país.






0 comentários