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Líderes de terreiros e comunidades quilombolas protagonizam encontro paralelo à COP30

por | 4 nov, 2025

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© Tânia Rêgo/Agência Brasil

Em agendas simultâneas às atividades da COP30, comunidades de matriz africana, terreiros e povos quilombolas promovem no próximo dia 15 dois encontros paralelos em Salvador e no Rio de Janeiro para debater a interseção entre a crise climática, o racismo ambiental e os direitos aos territórios.

Na capital baiana, a “Cúpula dos Povos de Terreiro” será realizada no Parque da Pedra de Xangô, das 9h às 13h, enquanto no Rio de Janeiro a “I Cúpula das Vozes Quilombolas pelo Clima” está marcada para a Fundição Progresso, das 9h às 17h, com apoio da Associação Estadual das Comunidades Quilombolas do Rio de Janeiro (Acquilerj) e da KOINONIA Presença Ecumênica e Serviço.

Para a diretora executiva da KOINONIA, Ana Gualberto, o chamado é urgente: “O que tem acontecido no Brasil e no mundo é que as comunidades negras tradicionais, tanto os quilombos como os terreiros, não têm sido ouvidos como atores e atrizes importantes para a preservação ambiental, para a manutenção de áreas e para apresentar propostas de solução para adiar o fim do mundo que está acontecendo cotidianamente.”

Ela ressalta que a escolha do Parque da Pedra de Xangô para a cúpula em Salvador é estratégica: “É muito simbólico a gente fazer ali [o encontro], onde tem um espaço de resistência muito forte e ser o marco de uma conquista do povo de santo.”

Entre os objetivos destacados, Ana aponta que “essas populações têm o que dizer, mostrar que isso perpassa a vida delas, e a gente está agindo, vocês sabendo ou não. Mas é importante que a sociedade saiba disso. As comunidades estão preservando o meio ambiente.”

No que se refere aos povos de terreiro, a ativista denuncia um grave déficit de reconhecimento territorial: dos mais de cinco mil terreiros identificados em Salvador, menos de 20% têm seu território garantido. A especulação imobiliária e a violência urbana agravam o cenário dessas comunidades.

Desse modo, mapear e quantificar terreiros é apresentado como passo fundamental para a implementação de políticas públicas eficazes que atendam esses grupos historicamente marginalizados.

Do lado das comunidades quilombolas, a I Cúpula das Vozes Quilombolas pelo Clima chama atenção para a reivindicação de justiça climática e territorial. A presidente da Acquilerj, Bia Nunes, afirma: “Nós estamos falando da primeira organização social brasileira… E quando eles criavam esses quilombos, mantinham e preservavam aqueles lugares, como fazem até os dias de hoje.”

Ela sublinha que não se pode conceber justiça climática sem reconhecer o papel ancestral dessas comunidades: “Quando se fala de justiça climática na COP30, não se pode, de maneira nenhuma, esquecer de quem vem, durante todos esses anos, mantendo o espaço na preservação, da forma como a população quilombola faz.”

Um dos aspectos críticos destacados pela palestrante é a titulação das terras quilombolas. No Rio de Janeiro, de 54 comunidades existentes, apenas três têm título de posse, e algumas titulações precisam ser revistas por falhas nos processos.

“Para que a titulação saia mais rápido, eles devem abrir mão de uma imensidão de alqueires de terra. É uma chantagem emocional e psicológica que acontece na maioria dos territórios”, aponta Bia Nunes sobre os entraves enfrentados.

Com a cúpula carioca, pretende-se dar protagonismo direto aos quilombolas: “A primeira mesa será Vozes Quilombolas, porque nós teremos ali 16 territórios dando a pauta e o protagonismo desse assunto.”

Além de debates, o evento lançará o fórum itinerante “Cuidar da Terra é Cuidar da Gente: A Luta Quilombola pela Mata Atlântica”, iniciativa da Acquilerj para fortalecer a agenda climática e territorial em diferentes regiões.

Esse tipo de mobilização — articulada paralelamente à COP30 — evidencia que as comunidades de terreiros e quilombolas reivindicam não apenas inclusão nas negociações globais, mas protagonismo e reconhecimento de seus saberes e práticas ambientais históricas.

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