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MPAL denuncia policial civil por duplo homicídio dentro de viatura em Delmiro Gouveia

por | 26 jun, 2026

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O Ministério Público de Alagoas (MPAL) denunciou o policial civil Gildate Goes Moraes Sobrinho pela morte dos colegas de equipe Denivaldo Jardel Lira Moraes e Yago Gomes Pereira. O crime ocorreu nas primeiras horas da madrugada de 20 de maio de 2026, dentro de uma viatura da Polícia Civil, em Delmiro Gouveia.

Na denúncia apresentada pela 1ª Promotoria de Justiça do município, o promotor Dênis Guimarães de Oliveira afirma que “os elementos fáticos e periciais reunidos nos autos revelam que o crime foi executado de forma traiçoeira, covarde e de surpresa”.

O Ministério Público pede que o acusado seja submetido a júri popular e condenado por dois homicídios qualificados, cometidos com recurso que dificultou ou impossibilitou a defesa das vítimas. As mortes teriam sido provocadas com uma pistola Glock calibre .40, pertencente à corporação.

Segundo a denúncia, Denivaldo foi atingido pelas costas, na nuca, enquanto Yago, que conduzia a viatura, ainda tentou reagir, mas também foi baleado. Ambos morreram dentro do veículo em movimento. Os laudos periciais indicam ausência de luta corporal e apontam que o réu era o único ocupante em posição de vantagem no momento dos disparos.

Policiais Yago Gomes (esq) e Denivaldo Jardel, mortos por Gildate | Reprodução

O MPAL sustenta ainda que os dois policiais haviam ingerido bebida alcoólica, mas que a condição não afasta a responsabilidade criminal do acusado. Laudos de alcoolemia apontaram índices de 2,1 g/L e 2,3 g/L de álcool no sangue das vítimas.

Após os disparos, o denunciado teria deixado a viatura e caminhado pelas ruas armado, escondendo a pistola apenas ao encontrar transeuntes, até chegar à residência da companheira, onde deixou a arma.

A denúncia também contesta versões iniciais de que o crime teria ocorrido após parada do veículo. Segundo o Ministério Público, as provas indicam que a viatura só parou bruscamente depois dos disparos que atingiram o motorista.

Para o MPAL, não há indícios de transtornos psiquiátricos no acusado, e a eventual desorientação relatada em depoimento estaria relacionada ao consumo excessivo de álcool, não configurando inimputabilidade.

Além da denúncia, o Ministério Público solicitou a realização de diligências complementares, incluindo a análise de dados telemáticos e a quebra de sigilo bancário e financeiro do acusado e de contas vinculadas. O objetivo é verificar eventual motivação econômica e movimentações financeiras suspeitas no período anterior e posterior ao crime.

O MPAL também pediu a pronúncia do acusado para que ele seja julgado pelo Tribunal do Júri da Comarca de Delmiro Gouveia por duplo homicídio qualificado, em concurso material.

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