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Gravações revelam estratégia eleitoral da Igreja Universal com fiéis

por | 26 dez, 2025

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Reprodução

Gravações de reuniões internas da Igreja Universal do Reino de Deus revelam uma estratégia organizada para mobilizar fiéis, pastores e obreiros como apoiadores de candidatos ligados à instituição durante as eleições. O conteúdo foi revelado pelo The Intercept Brasil, que analisou áudios de encontros realizados no início do período eleitoral de 2024.

De acordo com a reportagem, as reuniões reuniram bispos e lideranças regionais da Universal, incluindo um encontro em Salvador, com orientações para transformar a estrutura da igreja em uma rede de apoio político. Em um dos trechos divulgados, um bispo cobra maior engajamento dos líderes religiosos:

“Jesus precisa, a Igreja precisa. A gente tem que ir pra cima, nós precisamos disso. Quero contar com a ajuda de vocês para se dedicar a isso.”

Segundo o The Intercept Brasil, os áudios mostram que a orientação incluía a criação de listas de transmissão em aplicativos de mensagens, o envio coordenado de conteúdos políticos e o estímulo para que fiéis abordassem familiares, amigos e conhecidos. A recomendação era evitar pedidos explícitos de voto, mas reforçar a divulgação de candidatos alinhados à igreja.

As gravações também citam a necessidade de identificar regiões estratégicas para ampliar resultados eleitorais. Em uma das falas, um dirigente afirma ser preciso definir “onde nós vamos atacar”, ao mencionar metas de desempenho superiores às eleições anteriores.

A atuação política da Universal não é recente. A igreja já demonstrou força eleitoral em 2016, quando elegeu o bispo Marcelo Crivella prefeito do Rio de Janeiro. Crivella é sobrinho de Edir Macedo, fundador e líder da Universal. O braço partidário da igreja foi criado em 2003, com a fundação do PRB, que mais tarde passou a se chamar Republicanos.

Desde então, o partido se consolidou como uma das principais legendas do campo conservador. Nas últimas eleições municipais, o Republicanos elegeu 433 prefeitos e 4.372 vereadores, mais que dobrando o número de prefeitos em relação ao pleito anterior, quando tinha 216.

O partido é presidido pelo bispo Marcos Pereira, deputado federal por São Paulo, e foi criado inicialmente para abrigar religiosos da Universal. A partir de 2016, passou a atrair políticos de fora da igreja, inclusive membros de outras denominações evangélicas, como a Assembleia de Deus. Internamente, Marcos Pereira é alvo de críticas por, segundo relatos, ter se afastado gradualmente da cúpula da Universal.

Atualmente, o conglomerado político ligado ao Republicanos reúne dezenas de bispos, pastores e obreiros da Universal entre os eleitos. A direção do partido afirma, porém, que a maioria dos quadros não é ligada à igreja. Não há números oficiais sobre essa proporção, mas estimativas internas apontam uma divisão aproximada de 50% de religiosos e 50% de políticos sem vínculo direto com a Universal.

O Republicanos conta hoje com dois governadores — Tarcísio de Freitas, em São Paulo, e Wanderlei Barbosa, no Tocantins —, além de um prefeito de capital, Lorenzo Pazolini, de Vitória. A sigla tem ainda quatro senadores, 75 deputados estaduais e 44 deputados federais. Na bancada federal, 17 parlamentares são bispos, pastores ou apresentadores contratados pela TV Record, emissora pertencente a Edir Macedo. Em 2012, o então PRB tinha apenas oito deputados federais.

Segundo o The Intercept Brasil, a prioridade estratégica do Republicanos e da Universal é viabilizar a candidatura de Tarcísio de Freitas à Presidência da República. A igreja teria se engajado diretamente nesse projeto e abandonado o apoio a Jair Bolsonaro meses antes de sua prisão.

Tarcísio é tratado como aliado central do grupo, assim como o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, também filiado ao Republicanos. Ao mesmo tempo, o partido mantém uma posição pragmática ao integrar o governo federal, com Silvio Costa Filho à frente do Ministério de Portos e Aeroportos. A direção do Republicanos afirma que a nomeação partiu de uma decisão pessoal do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A divulgação dos áudios integra uma série de reportagens do The Intercept Brasil que investigam a atuação política da Igreja Universal e a ampliação de sua influência institucional por meio do processo eleitoral.

A reportagem completa pode ser lida clicando aqui.

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