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O Agente Secreto brilha no Globo de Ouro e faz história para o cinema brasileiro

por | 12 jan, 2026

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Foto: Divulgação

Por Geraldo de Majella*

Na noite desse domingo (11), O Agente Secreto, dirigido por Kleber Mendonça Filho, conquistou dois prêmios na 83ª edição do Globo de Ouro, realizada no The Beverly Hilton, em Los Angeles (EUA). O feito é histórico: trata-se da primeira vez que uma produção brasileira vence duas categorias em uma mesma edição da premiação.

O longa foi consagrado como Melhor Filme em Língua Não Inglesa, superando produções de diversos países e reafirmando a força ascendente do cinema brasileiro no cenário global. Na mesma noite, Wagner Moura recebeu o prêmio de Melhor Ator em Filme de Drama por sua atuação em O Agente Secreto, alcançando reconhecimento em uma das mais tradicionais premiações do cinema internacional.

Ao subir ao palco, Kleber Mendonça Filho e parte da equipe dedicaram a conquista aos jovens cineastas e ao público que acolheu o filme desde sua estreia em festivais internacionais, como Cannes, onde a obra já havia sido amplamente premiada e debatida.

Ambientado no Recife de 1977, O Agente Secreto retrata o Brasil sob a ditadura militar, em um período marcado pela repressão, pelo medo e pela violência institucionalizada. Ao recuperar essa memória, o filme confronta tentativas recorrentes de setores da sociedade brasileira de apagar ou negar a brutalidade do regime e lança luz sobre um passado que ainda permanece como uma ferida aberta na história nacional.

Foto: Divulgação

Kleber Mendonça Filho constrói a narrativa a partir da memória coletiva, da história e das lendas urbanas do Recife, não como meros elementos ilustrativos, mas como estruturas centrais do filme. Para quem viveu aquele período, a obra possibilita a reelaboração de memórias silenciadas; para as novas gerações, oferece a oportunidade de compreender, por meio do cinema, o ambiente político e social imposto pelos militares e sustentado por setores civis que apoiaram a ditadura.

A vitória no Globo de Ouro amplia as expectativas em torno de uma campanha consistente rumo ao Oscar 2026, onde O Agente Secreto representa o Brasil entre os principais concorrentes do cinema internacional.

Mais do que um reconhecimento artístico, a conquista reafirma o papel do cinema como instrumento de memória, reflexão e resistência, projetando o cinema brasileiro no exterior e recolocando no centro do debate cultural uma obra que articula história, estética e atuação de alto impacto.

*Historiador e jornalista

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