Os dois casos de feminicídio registrados em Alagoas nos seis primeiros dias de julho reforçam a necessidade de identificar sinais de risco antes que a violência contra a mulher resulte em morte. A avaliação é da advogada e pesquisadora Anne Caroline Fidelis de Lima, autora do livro *O Padrão do Feminicídio: Um Estudo Configuracional dos Assassinatos de Mulheres em Maceió, Alagoas*.
Resultado de uma pesquisa de mestrado em Sociologia pela Universidade Federal de Alagoas (Ufal), a obra analisa assassinatos de mulheres ocorridos em Maceió e aponta que os feminicídios costumam ser precedidos por um conjunto de comportamentos e violências recorrentes.
“Nenhum feminicídio começa no dia do assassinato. Antes da morte, existe uma sequência de violências, de controles, de ameaças e de omissões que se repetem em caso após caso. O feminicídio tem um padrão. E, se existe um padrão, ele pode ser identificado, interrompido e prevenido”, afirma a pesquisadora.
Lançado em maio deste ano, o livro examina casos registrados antes mesmo da criação da qualificadora do feminicídio na legislação brasileira. A pesquisa identifica padrões relacionados às desigualdades de gênero, às falhas institucionais, à invisibilização das vítimas e às dificuldades enfrentadas pelo Estado na prevenção e investigação desses crimes.
Segundo Anne Caroline, um dos desafios é superar a percepção de que cada feminicídio representa um episódio isolado. Para ela, os casos apresentam características semelhantes, marcadas por relações de poder, contextos de violência e sinais de risco que podem orientar políticas públicas mais eficazes.
“Toda vez que um novo caso de feminicídio ocupa os noticiários, a sociedade tende a enxergá-lo como uma tragédia isolada. Minha pesquisa demonstra justamente o contrário: o feminicídio segue padrões que se repetem. Existem contextos, comportamentos, dinâmicas de poder e sinais de risco recorrentes”, destaca.
A pesquisadora defende que o conhecimento produzido pela ciência pode contribuir para o fortalecimento das políticas de prevenção e da atuação das instituições responsáveis pela proteção das mulheres.
“Compreender esses padrões é fundamental para romper esse ciclo. É exatamente esse o papel das políticas públicas: identificar os fatores que antecedem a violência letal para intervir antes que ela aconteça. O conhecimento é uma das mais importantes ferramentas de prevenção”, conclui.





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