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Pesquisa aponta impacto financeiro e desigualdade no tratamento de mulheres jovens com câncer de mama avançado

por | 24 jan, 2026

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Reprodução

Mulheres com menos de 40 anos diagnosticadas com câncer de mama avançado enfrentam forte impacto financeiro e dificuldades no acesso ao tratamento, segundo a primeira pesquisa global dedicada a mapear os desafios desse grupo. O estudo, conduzido pelo Projeto 528, reuniu respostas de 3.800 pacientes em 67 países, incluindo 385 mulheres jovens.

Os dados mostram que 52% das entrevistadas são responsáveis pelo cuidado de filhos menores de 18 anos. Após o início do tratamento, seis em cada dez relataram problemas no trabalho, 59% tiveram dificuldade para manter as contas em dia e 40% acumularam dívidas médicas. A percepção de estabilidade financeira caiu de 50% para 20% após o diagnóstico, e para 36% das pacientes o custo das terapias influenciou a escolha do tratamento.

De acordo com a oncologista Patrícia Taranto, do Einstein Hospital Israelita, o estudo evidencia desigualdades que afetam desde o diagnóstico precoce até o acesso às terapias mais adequadas. Ela explica que o câncer de mama em mulheres jovens tende a ser mais agressivo, com maior incidência de tumores de difícil tratamento e de origem hereditária.

A pesquisa também aponta atrasos no diagnóstico e falhas no atendimento inicial. Cerca de 40% das pacientes adiaram a busca por ajuda especializada, e apenas 14% receberam o diagnóstico por exames de rotina. Mais da metade (52%) descobriu a doença já em estágio 4.

O acesso desigual a exames e terapias de precisão também foi identificado. Embora 90% tenham realizado testes genéticos, apenas 59% tiveram acesso a testes genômicos do tumor, o que limita as opções terapêuticas. Apenas 46% relataram ter recebido mais de uma alternativa de tratamento.

Além dos desafios financeiros e clínicos, 80% das mulheres relataram sofrimento psicológico, com impactos na sexualidade, na imagem corporal e na fertilidade. Apenas 13% receberam orientação sobre preservação da fertilidade antes do início do tratamento.

Segundo os pesquisadores, os resultados reforçam a necessidade de políticas públicas e estratégias de cuidado que considerem não apenas o tratamento médico, mas também o suporte financeiro, psicológico e social às mulheres jovens com câncer de mama avançado.

*Com Agência Einstein

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